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sábado, 24 de junho de 2023

[Tst] O homem casto ama de forma diferente

 

O HOMEM CASTO

AMA DE FORMA DIFERENTE




Ele não vê pessoas como objetos… mas como filhos de Deus. Os outros percebem suas motivações puras. Velhos e jovens, homens e mulheres; todos se sentem seguros em sua presença. Ele não busca vantagem própria. 

 

Ele ama como um irmão.

 

Seu amor exige abnegação; autocontrole. Luta para proteger sua própria alma e as almas de todos que encontra. Oferece um amor gerador que ajuda os outros a florescer e prosperar.

 

Ele ama como um pai. 

 

Em seus anseios e tentações, ama com um espírito submisso. Oferece seus sofrimentos pela conversão da família e dos amigos, pelo fortalecimento dos casamentos, pelo florescimento das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, pela proteção dos nascituros e para que todas as almas possam conhecer o amor e a misericórdia de nosso bondoso Pai.

 

Ele ama como Jesus. 

 

Quando fracassa, corre direto para os braços de seu Pai misericordioso no sacramento da Reconciliação. Recebe a graça, o encorajamento e o amor para continuar tentando. Não se odeia por causa de suas falhas, mas recebe com gratidão a ternura e o olhar indulgente de Nosso Senhor.. 

 

Ele é amado como o filho pródigo. 

 

Como nosso mundo seria diferente se os homens levassem mais a sério o belo e nobre chamado à castidade? Como os corações dos homens mudariam se pudessem ver essa virtude como um dom - para si mesmos e para os outros?

 

Demos graças a Deus pelo Apostolado Courage, que ajuda aqueles que sentem atração pelo mesmo sexo a lutar por esse amor fraterno, paterno, cristão. E também pelo dom de nos ajudar a compreender mais plenamente nossa identidade de filhos amados. Tenhamos a esperança de que, por meio de nosso testemunho imperfeito, podemos contribuir um pouco para ajudar o mundo a entender melhor essa virtude frequentemente ignorada, mas desesperadamente necessária. 

 

*    *    *

 

Brian R. tem 33 anos e mora em Washington, DC, onde trabalha como enfermeiro em um asilo. Faz parte do Courage desde 2018 e está ativo nas células de Baltimore, Washington e Arlington. Ama atividades ao ar livre com amigos, café e um bom livro, e um tempo em silêncio diante do Santíssimo Sacramento.

 

https://couragerc.org/the-chaste-man-loves-differently/

terça-feira, 24 de março de 2020

[Tst] Saindo do vale






TESTEMUNHO DE LUCAS:
SAINDO DO "VALE"


"Não vos conformeis com este mundo." Rom 12, 2


Meu nome é Lucas, tenho 24 anos e nasci numa cidade do interior do nordeste brasileiro. Meus pais, enquanto ainda namoravam, me conceberam. Quase dois anos depois de casados, minha mãe descobriu que meu pai estava tendo um caso extraconjugal com outro homem e pediu a separação.
          Sempre me senti atraído pelos homens. Os corpos masculinos sempre foram objetos da minha curiosidade e o mundo masculino me atraía de uma forma erótica. Além disso, sempre me interessei pelo mundo feminino, desde o jeito de se vestir das mulheres até o seu linguajar e, consequentemente, a relação das mulheres com os homens.
          Por volta dos meus 9 anos de idade, meu vizinho, que na época tinha cerca de 14 anos teve relações sexuais comigo (sem que eu soubesse o que estava fazendo) e me convenceu de aquilo seria bom para mim e para a minha entrada no mundo masculino que eu tanto desejava. Os abusos se seguiram tanto por parte dele como de outro rapaz mais velho.
          Com 18 anos, fui morar casa da minha avó paterna, onde também morava o meu pai, descobri que eu poderia viver uma vida gay tranquilamente, pois o meu pai assim me testemunhava juntamente com meu tio, irmão do meu pai, que tinha (e tem até hoje) relacionamento estável com outro homem.      
Comecei a minha vida universitária e acreditei ter achado um espaço útil onde podia falar abertamente sobre a homossexualidade e quanto mais fundo eu entrava no “vale”, mais eu conhecia a sujeira do mundo gay e mais “feliz” eu me sentia. Foram incontáveis relações sexuais, festas, orgias, bebedeiras, buscas de outras seitas e religiões, mas nada disso preenchia o meu coração já ferido e despedaçado. Apesar de ter experimentado todos os prazeres do sexo, nenhum deles me fazia verdadeiramente feliz. Cheguei mesmo à loucura de fazer sexo não pelo prazer, mas pelo hábito do pecado e por revolta contra a minha própria vida e contra Deus. Claro que naquela época eu não percebia essa sandice, pois o peixe não enxerga a água que o cerca.
          Já com 21 anos, voltei a morar com minha avó materna e fui para a missa mais para cumprir a obrigação com minha avó. Ao final dessa missa que para mim foi tediosa e estranha, uma mulher fez um convite: “Será iniciado um seminário de vida no Espírito aqui em nossa paróquia. Venha participar”.
          Eu descobri que Deus me amava do jeito que eu era, mas se recusava a me deixar vivendo do jeito errado. Ele queria que eu vivesse uma vida plena que era a que Ele trouxe. A culpa não era de Deus se as pessoas próximas a mim não souberam agir segundo a caridade cristã, em relação à minha sexualidade. Eu descobri que, em Deus, eu podia (e posso) ser feliz. O louvor de Deus me trouxe uma alegria e um gozo espiritual que nenhuma experiência humana havia me dado (e poderá me dar).
          Me converti e depois de um tempo, assisti um vídeo no YouTube e minha vida mudou completamente: Deus agiu copiosamente e me apresentou um caminho novo, o caminho da castidade. Eu não tenho costume de olhar comentários de vídeo. Nesse dia, eu decidi olhar os comentários e lá estava o link do site do Apostolado Courage. Eu cliquei.
Eu li as 5 metas do Courage. Li a Espiritualidade do Apostolado. Li que a castidade é possível e me decidi a enviar um e-mail. A resposta foi demorada, porém foi salutar. Comecei a conversar com um conselheiro e este me indicou o Retiro anual. Juntei dinheiro, pedi ajuda aos familiares, me inscrevi no Retiro e parti para São Paulo, sozinho, sem nunca ter andado pela capital paulista.
Ao final do Retiro, durante a última meditação eu passei por uma experiência decisiva. Neste momento, pareceu-me ouvir a voz de Deus que me falava ao coração: “vive o celibato e dedica tua vida ao Apostolado”. Eu tinha encontrado, finalmente, a resposta para a dúvida sobre a minha vocação e meu estado de vida. Encontrei, acima de tudo, o meu caminho de santificação.
Neste ano, se completam 3 anos desde que entrei, oficialmente, para o Apostolado. Achei que haviam respostas fáceis para caminhos difíceis e muitos desses caminhos passam pela luta contra o pecado. Depois do ingresso no Courage eu já quis desistir do celibato leigo e voltar para a vida gay. Foram muitas as quedas no meu caminho, mas nenhuma delas me tira a paz. Me arrependi desses pecados, os confessei e retomei meu caminho porque Deus é misericordioso. As metas continuam as mesmas apesar dos acidentes de percurso. A minha santificação virá no tempo de Deus e não no meu. O que me cabe é buscar ser sereno diante dos meus defeitos e pecados, continuar caminhando para progredir sempre mais e para cima.
Reconheço que existem várias experiências aparentemente bem-sucedidas entre pessoas que vivem uma vida gay, mas, depois de experimentar a verdade, sei que o mundo gay, esse mundo colorido e cheio de glitter não passa de ilusão. Hoje, eu nunca deixo de lembrar que existe um Céu e existe um Inferno. A existência deles não depende da minha fé. As escolhas que faço nessa vida determinam, eternamente, para qual lugar minh’alma irá depois da morte corporal.
Hoje, eu ainda não tenho uma célula do Courage na minha cidade, mas participo regularmente das reuniões virtuais. Apesar da ausência física dos irmãos ter a certeza de sua fraternidade me dá força para continuar lutando pela castidade. Assim, eu busco viver como uma alma esposa de Cristo. Mais, apoiado na devoção à Virgem Santíssima, na Comunhão Eucarística frequente, na sólida formação do Apostolado e na intercessão dos irmãos, busco me configurar a Cristo Crucificado, o meu Esposo e o meu desejo pelas colinas eternas.

domingo, 1 de março de 2020

[Tst] Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor!




TESTEMUNHO DE CRISTIANO FALEK


“Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade” (Sl 89, 2).

Falar de mim mesmo é sempre um desafio. Confesso que não gosto muito de me aventurar pela trilha do meu passado e no depósito das lembranças que o meu interior foi acumulando.
Resolvi fazê-lo movido pelo desejo de estimular os outros irmãos que passam pela mesma experiência que eu e estimulá-los a terem coragem e aceitarem o desafio da vida casta.
A. Infância.  – Como todas as histórias humanas, a minha começa com o meu nascimento que se deu há cerca de 30 anos atrás. Contexto de agitação popular no Brasil: fim da Ditadura Militar, Diretas já, eleição e morte de Tancredo Neves, governo Sarney, etc. naquele caldo de acontecimentos que a história brasileira chama ‘Redemocratização’, eu nasci.
Meus pais contam-me que eu sou fruto de um milagre. Minha mãe recebeu, na adolescência, o diagnóstico médico de que não poderia ter filhos, mas graças à oração, confiança em Deus e insistência dos meus pais, eu nasci. Meus pais, meus avós e meus tios sempre disseram que eu fui muitíssimo desejado por todos. Ao mesmo tempo, recebia deles clara reprovação por não corresponder às expectativas que eles tinham sobre mim. Queriam que eu fosse um menino típico: que praticasse algum esporte e tivesse interesse nas diversões dos meninos, mas eu não tinha nenhum interesse nisso, nem nos esportes. 
Do que tenho lembrança, na infância fui um garoto muito tímido, retraído, calado e extremamente fechado em mim mesmo. Não tinha amigos, não tinha vontade de fazê-los. Nas poucas vezes que me aventurei a tentar fazer amigos, fui violentamente hostilizado. Em todos os ambientes onde eu interagi: na rua onde morava, as escolas onde passei, a paróquia que frequentava, minha interação social foi permeada por um percurso de bullying violento: xingamentos (bichinha, mulherzinha, viadinho, boiola etc.), chacota, humilhação e episódios de agressão física.
Minha família sempre foi católica praticante: íamos à missa aos domingos e dias de guarda e meus pais eram atuantes na vida da Paróquia perto da minha casa. Assim, fui conhecendo a Deus desde a minha tenra infância e, ainda sem compreender muito, procurei aproximar-me dEle porque intui que Ele devia nutrir alguma simpatia por mim, já que era a única pessoa ao meu redor que não demonstrava sua reprovação ou desprezo por mim. Suspirava pelo dia que Deus me viesse tirar do inferno que era minha vida naquela época. Minha infância foi muito triste!
Não posso pensar na minha infância sem lembrar-me da canção “Nobody knows the trouble I've seen” de Louis Armstrong, me parece que é a trilha sonora deste tempo da minha vida.
B. Adolescência – Nos anos escolares da minha adolescência, eu ainda era razão de deboche dos rapazes e das garotas na vizinhança e no colégio. Desse período, guardo as piores memórias de humilhação, bullying, chacota e ainda episódios de agressão física.
Houve, então, um evento que marcou completamente a minha experiência de adolescente. Um vizinho novo mudou-se para a rua de casa e travou amizade comigo. Ficamos bons amigos, conversávamos muito, éramos como irmãos. Pela primeira vez eu me sentia valorizado por alguém que não me hostilizava. Durou, porém, pouco tempo essa amizade, pois ele mudou-se um ano e meio mais tarde. Minha vida voltou para habitual estado de ser objeto de hostilidades nos ambientes onde me encontrava. 
Logo após isso, comecei a trabalhar. No trabalho também encontrei um ambiente semelhante aos anteriores, mas segui a vida.
C. Universidade. Descoberta da AMS. – Ingressei na Universidade uns anos depois de começar a trabalhar. Ao mesmo tempo do meu ingresso na universidade, comecei a perceber que não somente as mulheres me atraíam, mas também os homens, ou seja, que tinha atração pelo mesmo sexo (AMS).
Não tinha uma consciência clara acerca da AMS e queria viver como se ela não existisse. Eu a ignorava.  Vivia a descoberta da AMS em silêncio. Questionava a Deus: Por que eu? Sentia-me um fracassado, não me sentia homem o suficiente. Eu tinha vergonha de ter AMS, não queria admitir. Nada era muito claro para mim, porque eu ao mesmo tempo, estava apaixonado por uma moça da comunidade de leigos consagrados da qual fazia parte naquele tempo e inclusive sentia-me atraído sexualmente por ela. Não existia uma relação de confiança com a minha família e eu não poderia falar com eles sobre isso com medo de obter mais reprovação do que já recebera outrora.
Havia lido num livro do Padre Daniel-Ange chamado ‘Teu corpo feito para o amor’ o drama de alguns jovens, homens e mulheres que experimentavam o mesmo que eu. Esse livro virou meu companheiro. Nas horas de maior dificuldade, lia e relia aqueles testemunhos, era como se aquelas pessoas falassem comigo. Relia os conselhos do padre Daniel-Ange que nutria esperança de colocar em prática. Queria viver aquilo que a Igreja ensinava -- ou seja, em castidade -- como o padre exortava no livro, mas não sabia como realizar sozinho esta tarefa.
D. SoGo “Sodoma e Gomorra” – No período em que estive na Universidade, meus olhos abriram-me para abismos nunca dantes conhecidos, nem imaginados. Experiências que nunca imaginei existirem se deslindaram diante dos meus olhos para meu horror. Conheci práticas que me causaram inicialmente repúdio, depois curiosidade, por fim, adesão. Comecei a ter sede de fazer experiências novas e transigir.
 Carregava comigo uma profunda baixa estima o que me estimulou a procurar aprovação e aceitação social. Acreditei que o caminho para solucionar isto passava por arrumar um parceiro e ser bem quisto com amizades que me reafirmassem. Inicialmente, o caminho que abracei para me livrar da carência foi a masturbação, a pornografia e a convivência com amizades gays e lésbicas. Estas coisas aliviavam o estresse dos meus conflitos internos e me davam algum alívio dessa carga. O problema é que esses vícios me conduziram para abismos mais profundos e obscuros do que o ‘aceitável’ e não demorou muito pra eu me entregar à devassidão por meio de encontros eventuais para sexo anônimo com outros homens. Em pouco tempo estava enredado numa dependência crônica de pornografia gay e masturbação e de aceitação que eu obtinha por meio de sexo anônimo e relacionamentos fugazes com outros homens.
A partir da leitura de um famoso folhetim gay chamado “O terceiro travesseiro” a ideia de encontrar um príncipe encantado que fosse também ao mesmo tempo, um amigo compreensivo e leal cresceu perigosamente em meu coração. E eu adicionei aos vícios a busca desenfreada por um parceiro que satisfizesse os meus ideais românticos.
E. Isso é amor? – Como sempre fui um rapaz tímido sai em busca de um namorado nos chats de relacionamento e tive um sem número de experiências frustrantes para mim. Um dia, entretanto, encontrei-me com um rapaz com idade próxima a minha, que tinha gostos e interesses parecidos e satisfazia meus ideais românticos embora eu fosse católico e ele fosse judeu. Ele se chamava Tiago. 
Junto a ele me sentia compreendido, estimado, amado, algo que nunca me sentira anteriormente, nem mesmo no meu grupo de amigos gays.  Tiago fazia eu me sentir bonito, forte, seguro. A vida inteira eu me sentira no papel de patinho feio, com ele eu me sentia protagonista da minha própria vida. Acreditei que experimentava aquilo que dizia Saint-Exupéry no ‘Pequeno Príncipe’ por meio do diálogo da raposa com o principezinho: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade!” Me perguntava se aquilo que estava vivendo era o amor ou estava sonhando como naquela música ‘Is this love’ do Whitesnake.
Entretanto, apesar dessa experiência extremamente satisfatória eu era atravessado vez por outra por crises de consciência que faziam com que nossa relação sofresse idas e vindas, pois eu não tinha paz e alegria interiores. Durante cerca de 2 (dois) anos as coisas foram assim: vivemos um relacionamento secreto com idas e vindas da minha parte de modo que num dado momento, comecei a me questionar sobre esse relacionamento com seriedade. Tiago era bom amigo e bom amante, parceiro, inteligente, culto, paciente, carinhoso, divertido, mas aquele relacionamento não me trazia paz ao coração.
A partir disso, penso eu, a graça de Deus me alcançou novamente e desatou-se uma luta dentro de mim, mas as coisas aconteceram de modo que eu posso dizer como o profeta Jeremias: “Seduziste-me, ó Senhor, e deixei-me seduzir; mais forte foste do que eu, e prevaleceste” (Jr 20,7). Pesando prós e contras do meu relacionamento e da proposta de uma vida casta com Deus, não sem grande dificuldade, decidi-me por Deus. Foi a decisão mais difícil da minha vida!
Uma vez decidido, marquei um encontro com Tiago para pôr um ponto final no relacionamento. Depois de uma conversa dolorosa e difícil para ambos, pois nós nos gostávamos sinceramente, disse-lhe em meio a lágrimas contidas de ambas as partes, que não poderíamos continuar o relacionamento, muito menos oficializá-lo como era vontade dele, pois eu estava decidido por Jesus Cristo e pela vida casta conforme o ensinamento da Igreja Católica Apostólica Romana. Terminamos ali o relacionamento.
F. O Courage: o Senhor me deu irmãos – Os anos 2009/2010 foram de viragem na minha vida. No grupo de amigos gays que eu fazia parte, apesar de sentir-me acolhido e aceito, não me sentia realizado ali, nem com eles, nem com namorado nenhum e nunca escondi isso de alguns deles. Um dia, um desses meus amigos conheceu um sacerdote e comentou que havia um rapaz católico entre os amigos dele que não estava satisfeito com a própria vida. Esse rapaz era eu. Puseram-me em contato com este padre e com ele pude desabafar toda minha angústia. O padre, como bom pastor, apresentou-me o Courage Latino. Li avidamente o conteúdo do site e disse para mim mesmo: é isso o que eu procurava! Mas o Courage Latino estava no México e me entristeci.
No entanto, a providência foi encaminhado as coisas e logo conheci o Matias Rimont que estava em contato com o Padre Buenaventura, coordenador do Courage Latino, na intenção de trazer o trabalho do Courage para o Brasil. Embarcamos juntos nessa aventura, organizando um blog e disponibilizando um e-mail para conhecer mais pessoas que enfrentavam o mesmo desafio que nós.
Em 2011, no dia de Finados, dávamos o passo de morrer para a vida velha e renascer para uma vida nova em Cristo trilhando o caminho inaugurado pelo Padre John Harvey quase 30 anos antes nos EUA: o desafio de viver castamente segundo o ensinamento da Igreja por meio das 5 metas e dos 12 passos, a busca por amizades castas e sadias, a fraternidade entre irmãos. Tivemos, na cidade de São Paulo, a primeira reunião da primeira célula do Courage no Brasil.
Desde então sou membro da célula do Courage em São Paulo e percebi que o Senhor me deu irmãos para compartilhar uma vida de acordo aos ensinamentos do santo Evangelho que a Igreja anuncia há mais de 2000 anos.
G. 10 Anos depois –  Os quase dez anos seguintes à minha descoberta do Courage têm sido uma divina aventura. Não quero enganar ninguém: não quero dizer que já alcancei a castidade, mas continuo a persegui-la. Embora caia eventualmente em alguma tentação e tenha que lutar às vezes com a tentação de desistir de tudo, refaço diariamente minha escolha de “tomar a cruz de cada dia” (Lc 9,23) e continuar seguindo a Cristo. As feridas que carrego ainda estão todas aqui e os seus efeitos ainda se manifestam vez por outra, no entanto, sei que se eu cair posso me levantar e seguir adiante porque tenho irmãos para me ajudar, não estou sozinho! Isso é libertador pra mim.
Descobri que o reconhecimento da minha própria incapacidade, a prática da oração, a leitura de bons livros, a meditação, a confissão e a comunhão frequentes e o serviço ao próximo me capacitam a viver como um verdadeiro filho de Deus. No caminho que vou percorrendo, vou crescendo em autoconhecimento e conhecimento de Deus. Aprendo que devo estar atento a mim mesmo e à maneira como lido com os outros. Também aprendo que Deus usa meus sofrimentos para me lapidar, me atrair a Si e ganhar intimidade comigo. Cresce em mim dia a dia a convicção de que só a vida casta é boa.
Quero cada dia mais aprender a viver como um filho amado de Deus, deixando Cristo crucificado perdoar misericordiosamente as minhas tolices e viver junto às minhas dores e perturbações.
Espero que o meu testemunho seja útil para mostrar, a você que me lê: não estás sozinho! Não temos de guardar só para nós o que nos é difícil e faz sofrer porque “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18) e “o irmão ajudado pelo seu irmão é forte como uma cidadela” (Prv 18,19). Estamos juntos nisto!


sábado, 4 de janeiro de 2020

[Atld] Entrevista com o coordenador nacional do Courage


Todos têm uma mesma identidade fundamental:


pela graça, filhos de Deus


 
Coordenador nacional do apostolado Courage, Maurício Abambres, 49, percorre o Brasil para falar sobre o caminho proposto pela Igreja Católica aos homens e às mulheres que sentem atração pelo mesmo sexo e buscam viver a fé com sinceridade e liberdade. 
Em entrevista ao O SÃO PAULO, o assessor jurídico do Tribunal de Justiça de São Paulo partiu de sua própria história de vida para explicar como é realizado o acompanhamento pastoral das pessoas com tendências homossexuais, assim como os desafios que existem dentro e fora da Igreja em relação a esse tema. Confira a entrevista. 
O SÃO PAULO – DESDE QUANDO VOCÊ PERCEBEU QUE TEM ATRAÇÃO PELO MESMO SEXO? 
Maurício Abambres – Para entender melhor minha caminhada, é preciso explicar um pouco da minha origem. Eu venho de uma família em que não havia uma referência masculina, digamos, saudável. Eu não conheci meu pai e meu avô era alcoólatra. 
Eu nunca me identifiquei muito com aquilo que era comum nos meninos da minha idade, como jogar bola, e sempre admirava os rapazes, desejava ser como eles, mas, para mim, era um mistério como os homens agiam. Ao mesmo tempo, tinha maior facilidade para ter amizade com as meninas, embora eu nunca tenha tido interesse pelas brincadeiras das meninas, me vestir ou me portar como elas. Apenas tinha uma afinidade maior. Sobretudo a partir da adolescência, a minha busca pela figura masculina foi ficando “sexualizada”.
VOCÊ JÁ FREQUENTAVA A IGREJA? 
Minha família sempre foi dos chamados “católicos de IBGE”, nunca viveram a religiosidade, de fato. Com 16 anos, eu me aproximei da Igreja por causa de um amigo que começou a ter uma prática religiosa mais intensa. Então, comecei a participar da Renovação Carismática Católica (RCC). 
Com 19 anos, conheci um monge beneditino que me perguntou se eu não queria seguir a vida monástica, e acabei ingressando no mosteiro, onde fiquei por quatro anos. Foi uma experiência muito boa e séria. Não tive problemas em relação à vivência da castidade, embora minha tendência persistisse e sempre fui transparente com o meu diretor espiritual a esse respeito, buscando seguir o caminho proposto. 
E POR QUE VOCÊ DEIXOU A VIDA MONÁSTICA? 
Deixei o mosteiro por outras razões relacionadas à vida comunitária com as quais não me identificava. Voltei a trabalhar e a participar do grupo da Igreja do qual fazia parte antes. Só que lá não havia muita abertura para tratar dessas questões. Só me diziam para viver a castidade segundo a Doutrina da Igreja, sem, de fato, responder às inúmeras dúvidas e questões que tinha dentro de mim. Não me via em um casamento e construindo uma família, tampouco como um religioso ou sacerdote. Perguntava-me qual seria o meu lugar na Igreja e no mundo. 
Ao mesmo tempo, trabalhava com um rapaz que vivia uma vida assumidamente gay, e isso me despertou uma curiosidade por esse universo. Com 27 anos, cansado de não ter respostas e um acolhimento, abandonei a vida da Igreja. De certa forma, encontrei um acolhimento no outro grupo. Com isso, passei a viver um estilo de vida gay até por volta dos 40 anos. Nesse período, tive relacionamentos estáveis, uma vida promíscua, usei drogas etc. Mesmo assim, nunca critiquei a Igreja. Procurei outras formas de viver a religiosidade em diferentes tradições religiosas. Nada disso, porém, me satisfazia realmente do ponto de vista da fé.  
QUANDO CONHECEU O COURAGE? 
Depois de muitos anos, eu voltei a me aproximar da Igreja. Ia à missa, mas não comungava, até porque eu vivia publicamente uma vida gay. Então, tomei coragem e terminei o relacionamento que tinha e procurei um sacerdote para me confessar. Só que, ao mesmo tempo, eu me questionava, pois sabia que teria que seguir os ensinamentos da Igreja, mas não sabia como. Comecei a pesquisar na internet sobre o assunto e encontrei o site do Courage, nos Estados Unidos, escrevi para eles e me informaram que havia um grupo no Brasil. 
No começo, tive receio, pois temia que fosse algo relacionado a grupos que se dizem “inclusivos”, que relativizam a Doutrina e a Moral católica, sendo que eu já sabia o que a Igreja ensinava, e só precisava de ajuda para viver esse ensinamento. Eu tomei coragem e participei do primeiro encontro em 2012 e, a partir daí, comecei a compreender mais o que a Igreja propõe para as pessoas com atração pelo mesmo sexo. Compreendi que vivendo como um leigo solteiro, consciente dessa tendência, eu posso ser útil para a Igreja a partir da vivência das metas indicadas pelo Courage. Depois de um tempo, fui indicado para coordenar o apostolado no Brasil e aqui estou. 
HOJE, COMO VOCÊ ENTENDE A HOMOSSEXUALIDADE? 
Depois de ler, estudar e fazer esse caminho no Courage, olhando para a minha vida e para a de muitos que participam desse apostolado, eu vejo que não é algo que tenha causas completamente definidas. Por isso, a Doutrina da Igreja usa sempre a expressão “inclinação desordenada”, ou seja, uma tendência que está fora da ordem natural. Outra coisa que precisa ficar clara é que a Doutrina católica não considera a atração pelo mesmo sexo um pecado. Uma inclinação desordenada pode levar ao pecado, mas não é um pecado em si. Por exemplo, se uma pessoa que tem a tendência a comer demais e se deixar levar por isso, cometerá o pecado da gula. 
Infelizmente, o mundo moderno reduz a sexualidade à genitalidade, mas é muito mais do que isso. O ser humano se realiza no dom de si a Deus por meio do próximo, e a sexualidade faz parte disso. Penso que a Psicologia poderia estudar essas questões com mais profundidade sem amarras ideológicas. 
COMO VOCÊ COMPREENDE A AFIRMAÇÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE OS HOMOSSEXUAIS, EM 2013?
Naquela ocasião, o Papa Francisco disse: “Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?” Essas frases não podem ser pinçadas do seu contexto. Nós temos que ir além e entender todo o magistério de Francisco, que, por exemplo, na Exortação Apostólica Amoris Laetitia recorda que Deus criou o homem e a mulher para se unirem e reafirma que as uniões entre as pessoas do mesmo sexo não são legítimas, assim como fala do acompanhamento pastoral dessas pessoas. No livro “O nome de Deus é misericórdia”, o mesmo Francisco recorda que “as pessoas não devem ser definidas apenas por suas tendências sexuais”, reforçando o que o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI, afirmou em uma Carta da Congregação para a Doutrina da Fé em 1986: “A Igreja oferece ao atendimento da pessoa humana aquele contexto de que hoje se sente a exigência extrema, e o faz exatamente quando se recusa a considerar a pessoa meramente como um ‘heterossexual’ ou um ‘homossexual’, sublinhando que todos têm uma mesma identidade fundamental: serem criaturas e, pela graça, filhos de Deus, herdeiros da vida eterna”. Portanto, o que significa buscar o Senhor? Se eu o busco, quero ouvir o que Ele me fala e, consequentemente, buscar viver o que Ele me pede.

(fonte: O São Paulo)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

[Tst] Testemunho de Ángel: a jornada de um jovem com AMS em direção a uma vida casta


“O Courage me deu Esperança e Fé”:


a jornada de um jovem com AMS


em direção a uma vida casta


O caminho para a liberdade e castidade é como uma escalada,
feita com amizade, fraternidade, oração e presença de Deus

Em 1980 o sacerdote John Harvey organizou em New York a primeira reunião do Courage, um apostolado católico que acompanha espiritual e fraternalmente as pessoas com sentimentos homossexuais, de forma que não vivam sozinhos, e sim com amizade e acompanhamento, suas lutas, propondo uma vida de castidade e fraternidade. O Courage propõe cinco metas que são lidas em cada reunião:

1. Viver uma vida casta de acordo com o ensinamento da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da homossexualidade (CASTIDADE);
2. Dedicar a própria vida à Cristo por meio do serviço ao próximo, da leitura espiritual, da oração, da meditação, da direção espiritual particular, da participação frequente da Missa e do recebimento constante dos sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia (ORAÇÃO E DEDICAÇÃO);
3. Cultivar um espírito de fraternidade no qual todos podem partilhar seus pensamentos e experiências e, assim, assegurar que ninguém venha a enfrentar sozinho os problemas da homossexualidade (FRATERNIDADE);
4. Ter em mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento (CASTAS AMIZADES);
5. Viver a própria vida de tal modo que sirva de bom exemplo para os outros (VIDA EXEMPLAR).
O Courage completou mais de 30 anos de serviço e sua sede central está localizada hoje em Bridgeport (Connecticut, USA), mas com uma presença em diversos países. Em 2005 o Courage International criou uma seção em espanhol no México e hoje tem grupos em diversos países hispânicos. Qualquer pessoa interessada que fale espanhol – na Espanha, nos Estados Unidos ou na América Hispânica – pode escrever para o e-mail consultas@courage-latino.org (México) ou para oficina@couragerc.org (para o escritório internacional em Espanhol) e será encaminhado para o grupo ou pessoa do Courage mais próximo. Na Espanha, a diocese de Toledo explorou o serviço oferecido pelo Courage, recebendo uma equipe que explicou o apostolado recentemente.
O testemunho de Ángel, que está há 10 anos no Courage
Entre aqueles que estavam na jornada pastoral em Toledo estava Ángel, o coordenador de um capítulo do Courage que se encontra na Basílica de Guadalupe, no México. Ángel participa deste apostolado há 10 anos.
Ele explicou ao ReL como ele deixou a vida gay e como foi dando passos em direção à uma vida de amizades castas, oração, sacramentos e fraternidade.
“Já na infância percebi aquela atração pelo mesmo sexo e fiquei em silêncio por medo”, ele explica. “vivi a AMS em silêncio, procurava por algum culpado, fossem meus pais ou mesmo Deus. Perguntava a Ele: por que eu? Minha família era religiosa e eu não poderia falar com eles sobre isso”.
Ao chegar à vida adulta, ele voltou-se para um estilo de vida homossexual e promíscuo. Apesar de ter ido a um psiquiatra, foi encorajado a continuar a prática homossexual.
“Por cerca de 10 anos vivi uma vida promíscua, além de ser viciado em pornografia, visitando locais para ter encontros sexuais com anônimos. Durante este tempo, distanciei-me completamente da Igreja e fui experimentando outras crenças, como a Santería, a Nova Era”, ele se recorda.
Estabilidade, dinheiro, um único parceiro? Não existe o príncipe encantado
“Depois, pensei que precisava focar em apenas um parceiro, que isso me daria estabilidade. Tive um relacionamento estável por um ano, tínhamos dinheiro, um carro, um trabalho estável, um lar, vivíamos como um casal, tínhamos sexo todos os dias. E minha família já sabia de tudo. E apesar de ter tudo isso... ainda sentia-me vazio!”, ele acrescenta.
“Falava com o meu parceiro sobre o vazio que eu sentia, mas ele me dizia que ele se sentia feliz. E quando decidi deixá-lo, ele veio com agressões físicas e ameaças. Até que ele atacou-me com a intenção de matar-me e cheguei ao hospital sangrando com as feridas que ele me fez com cacos de vidro. No hospital fui resgatado por minha família, a quem havia dito: ‘não se metam em vinha vida’. Eles sempre estiveram atentos, preocupando-se comigo. Ainda que eu estivesse longe de casa, eles entravam em contato comigo e rezavam por mim. Suas orações sempre me acompanharam”.
“Dei-me conta de que a vida homossexual não era boa para mim. Vi que ela também afetou a minha saúde. O vazio que senti era intenso e a vida não teve nenhum significado. O mundo homossexual fala muito sobre procurar pelo príncipe encantado. Eu o procurei por um tempo, mas não há príncipes encantados! E então eu não estava mais procurando por um companheiro, mas apenas por sexo anônimo. ‘não sei o seu nome, mas venha comigo por um momento’. Era o que eu fazia, mas vi que isso estava a me destruir.”



“Você pode me dar informação? É para um amigo...”
Há 10 anos, em janeiro de 2009, o Encontro Mundial das Famílias aconteceu no México e Ángel soube que o Courage estaria presente no encontro e poderia vê-los pessoalmente.
“Li algo sobre eles antes. Aproximei-me deles pedindo informação, dizendo que era ‘para um amigo’. Eles me convidaram a um retiro espiritual confidencial e anônimo, com a participação de rapazes que viveram aquilo, em Queretaro. Homens, poucas mulheres... e falava-se do tema de forma muito direta.”
Em alguns temas eles separavam os rapazes das moças em diferentes salas, mas muitos tópicos e conversas eram em comum. Eles nunca me disseram “isto [a atração homossexual] será removido de você’. O que eles diziam era: ‘O que a Igreja propõe é começar um processo de viver uma vida casta, de trabalhar o companheirismo, a comunidade, a partilha e dar testemunho da vida’. Parecia-me muito difícil. Ninguém falava sobre uma ‘solução imediata’ a qualquer coisa... mas me dava esperança. Então, comecei a descobrir a fé’.
Tentar, rezar... e confessar-se com profundidade.
Em seus anos de promiscuidade, não havia ido à Santa Missa, mas ele rezava em algumas ocasiões. Agora via que a proposta do Courage relativa à oração era importante. Ele decidiu tentar, rezar e ir à adoração, à Santa Missa.



“Era-me muito difícil encorajar-me à Confissão, parcialmente porque eu tinha medo de retornar, por exemplo, à pornografia. Por outro lado, porque em confissões anteriores alguns sacerdotes me deram conselhos inadequados como ‘arruma uma namorada’ ou ‘tenha apenas um namorado, mas estável’. Um sacerdote me disse: ‘não posso te dar a absolvição’. Senti-me mal, mas pensei: ‘que faço? Abandono a Igreja?’. Voltei àquele sacerdote que me levou à penitência, que me levou a uma confissão muito mais profunda, que me fez refletir bastante em minha vida. Foi uma experiência forte e decisiva”.
Há dez anos ele começou este processo e agora ele ajuda outras pessoas. “Talvez sem este processo hoje eu estaria morto, nunca se sabe”, ele reflete.
Um se responsabiliza e dá passos: os irmãos ajudam
Para começar o processo, uma pessoa tem que fazer a decisão e perseverar. Os irmãos e o capelão ajudam, acompanham com amizade, companheirismo, oração, mas cada um deve se responsabilizar por sua jornada. Mas vale à pena. “Vi que por partilhar esta jornada com outros, sem contornar as dificuldades, você cresce em compromisso e perdão (também de si mesmo). Vi em minha vida e na de outras pessoas que abrem seus corações a esta confiança que temos”.
Às pessoas que estão cansadas da vida homossexual, seu vazio e suas feridas, encorajo-as a explorar essa possibilidade, sempre com liberdade. “O Courage requer um processo pessoal, de compromisso livre, mas que dá respostas ao que a pessoa procura. Posso convidar as pessoas a viver este processo, se estão procurando ajuda. às vezes há pessoas que só querem ser escutadas: isso também está bem. É necessário respeitar os ritmos de cada um, os momentos que cada um vive. Mas há um momento quando a pessoa se dá conta deste vazio...” para todos eles, o Courage oferece castidade, amizade, fraternidade, crescimento, fé, proximidade com Deus...

(o artigo original pode ser encontrado aqui . A página brasileira do Courage é www.couragebrasil.com, e o e-mail de contato é contato@couragebrasil.com)


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

[Atld] Sete anos do Courage Brasil


SETE ANOS DO


COURAGE BRASIL




Éramos quatro. Quatro rapazes, sentindo atração pelo mesmo sexo (AMS), mas procurando viver o chamado da esposa de Cristo, que nos dizia: sede castos! Mas como? Como responder, nesse mundo tão sexualizado, em que a pornografia e o sexo fácil estavam ao alcance rápido das mãos, ao apelo à santidade? Como não dar ouvidos ao Movimento Gay, que nos dizia ser legítimo ter um companheiro do mesmo sexo, enquanto a Igreja nos chamava para trilhar outro caminho, dizendo que a verdadeira felicidade não se encontra neste mundo? Como ficar sem o afeto de outra pessoa? Apenas perguntas.
Já havíamos tido contato por meios virtuais. Nosso blog, de maneira tímida, começou em 15 de outubro de 2009. Outubro, mês em que se comemora o dia de Nossa Senhora das Vitórias. 15, o dia de Santa Teresa, a mulher forte, fundadora de Carmelos. Era o começo. Alguns de nós tiveram contato com o Courage dos Estados Unidos, e também com o Courage do México. O início de uma resposta se vislumbrava. Havia outros irmãos, espalhados pelo mundo, sedentos de saber o que a Igreja pedia de nós, mas também de como ter forças para tanto. O mundo gay atraía, como a sereia de canto belo e mortal, mas a Igreja deslumbrava e esclarecia. Ela, a Senhora da Verdade, transmissora da Fé imortal, tinha o que precisávamos: a verdade e a força para vive-la. E o Courage mostrou ser o que procurávamos.
Resolvemos, depois de algumas correspondências, realizar nossa primeira reunião. Éramos quase todos da terra desbravada por Nóbrega e Anchieta, da terra dos bandeirantes. Courage: Coragem! Quanta coragem não tiveram nossos primeiros desbravadores e missionários! Quanta coragem não nos foi necessária para empreender essa batalha! Mas confiamos no quinto elemento, o mais importante: Cristo, nosso único e verdadeiro amor. A Ele sempre quisemos servir e honrar, e a Ele pedíamos ajuda para continuar. Onde dois ou mais estiverem reunidos em Meu nome, aí estarei no meio deles. E ali ele esteve.
Nesta terra em que viveram santos, na terra que pisaram Santa Madre Paulina e São Frei Galvão, resolvemos nos encontrar. No dia das Santas Almas do Purgatório de 2011, nossas grandes amigas até hoje, se realizou a primeira reunião, o primeiro dia oficial de partilha. Oficial? Nem tanto. Nosso sonho era ter uma sede, um lugar sossegado de encontro, um sacerdote nos orientando, aprovação episcopal. Mas ainda era um sonho... Fazia alguns meses que os primeiros membros estavam em contato, partilhando e ajudando na divulgação do Courage (na época nos denominávamos Juventude Coragem) pela internet. No entanto, era necessário começar, ou as almas continuariam sem respostas, sem direção... Cristo nos guiaria. Discernimos, assim, depois de rezar e refletir, não adiar nossas formações, ainda que elas começassem como uma iniciativa exclusiva de leigos. Marcamos e remarcamos algumas vezes, pois éramos poucos e não era fácil conciliar agendas e encontrar um lugar para a reunião. As chuvas, próprias da estação primaveril, dificultaram o encontro, pois nos encontraríamos a céu aberto. Se Cristo muitas vezes não tinha onde dormir, porque reclamar de não ter um lugar fechado para partilhar? Mas a Providência de Deus, no entanto, sabe e ajeita tudo. No feriado do dia 2, fomos ao Centro Cultural Vergueiro, e lá se realizou a primeira reunião do Courage no Brasil. Iniciamos como são todas as reuniões do apostolado pelo mundo: orações iniciais, formação e partilha. E assim é até hoje.
Saudoso dia. O que significaram aqueles quatro? Ora, na fé católica, os números têm um significado profundo, e assim é o número quatro: ele é o número dos Evangelhos e dos seres viventes diante do trono, na visão de São João; são quatro os elementos e os pontos cardeais; quatro é também o número complementar ao três (símbolo da Trindade) espiritual, resultante em sete (símbolo da perfeição). Assim, logo após a celebração dos bem-aventurados que se encontram no Purgatório, aqueles quatro jovens, de diferentes partes de São Paulo, reuniram-se no meio do mundo, em um lugar onde outros tantos jovens mostravam seus estilos de vida, inclusive como gays assumidos. Era um dia de penitência, recordação da morte e oração pelos que partiram. Com isso em mente, os quatro começaram juntos uma jornada de luta pela castidade, confiando uns aos outros os desafios que, até ali, foram causa de sofrimento e de condenação, mas que, a partir dali, seriam motivo de encorajamento mútuo e compaixão. Se perseverassem nas Cinco Metas e Doze Passos que o Courage lhes propunha, a atração pelo mesmo sexo não seria mais um jugo pesado e mortífero. E, mesmo sendo uma cruz, seria motivo para nos orgulharmos no Céu, por termos lutado juntos, cumprindo uma das mais importantes de nossas metas, a das castas amizades, que nos mostrou que o afeto poderia ser vivido de forma legítima e em conformidade com os ensinamentos de Cristo e nossa Mãe Igreja.
Hoje, completam-se sete anos. Graças ao Bom Deus, como fizeram os bandeirantes e com o auxílio de Santa Teresa de Ávila, que fundou Carmelos pela Europa, enfrentando tudo, apenas com o auxílio de Deus, nós nos espalhamos pelo Brasil. Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Franca, Belo Horizonte, e aonde Deus quiser iremos. Começamos pequenos. Ainda somos pequenos. Mas Deus é grande, e ele nos pede para ir adiante. Conseguimos, com o tempo, o apoio de nosso clero, bispos e sacerdotes fiéis, luzeiros nestes tempos de trevas. Hoje, não somos mais quatro: somos mais de uma centena. E sabemos que Deus quer mais. Homens e mulheres, espalhados pelo país, auxiliados por sacerdotes, tem o apoio necessário e o incentivo para testemunhar ao mundo que SIM, é possível viver o que a Igreja nos pede.  E a Igreja nos pede mais. Ela nos pede que continuemos corajosamente levando sua mensagem para nossos irmãos e irmãs que sentem atração pelo mesmo sexo, e procuram por ajuda. Ela, a Santa Esposa de Cristo, quer que perseveremos e vençamos o pecado. Se Deus, por Seu desígnio, deixou-nos marcadas duas datas: o dia de Santa Teresa de Ávila, a fundadora de Carmelos, no mês da Batalha de Lepanto, em que os cristãos venceram os mouros, e o das Santas Almas, lutaremos então para vencer o mundo, espalhar células pelo Brasil e morrer santamente. Queremos, de todo o nosso coração, morrer em estado de graça e nos juntar aos bem-aventurados no canto de um eterno Aleluia, celebrando as maravilhas que o Senhor realiza em nós por Seu amor. A atração pelo mesmo sexo não é um obstáculo para nossa salvação, mas a Cruz própria que carregaremos com a ajuda dos irmãos. Podemos ser castos, podemos ser santos. Juntos, como apostolado e fraternidade, cremos que Jesus Cristo, por Sua graça, nos livra da morte eterna e, por seu sacrifício na Cruz, nos dá a vida nova.
Nossa mensagem é e será sempre: Coragem! Jesus venceu o mundo, e com ele nós também venceremos. Que venham as almas!

Rezem por nós.

Seus irmãos do

Courage Brasil