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sábado, 24 de junho de 2023

[Tst] O homem casto ama de forma diferente

 

O HOMEM CASTO

AMA DE FORMA DIFERENTE




Ele não vê pessoas como objetos… mas como filhos de Deus. Os outros percebem suas motivações puras. Velhos e jovens, homens e mulheres; todos se sentem seguros em sua presença. Ele não busca vantagem própria. 

 

Ele ama como um irmão.

 

Seu amor exige abnegação; autocontrole. Luta para proteger sua própria alma e as almas de todos que encontra. Oferece um amor gerador que ajuda os outros a florescer e prosperar.

 

Ele ama como um pai. 

 

Em seus anseios e tentações, ama com um espírito submisso. Oferece seus sofrimentos pela conversão da família e dos amigos, pelo fortalecimento dos casamentos, pelo florescimento das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, pela proteção dos nascituros e para que todas as almas possam conhecer o amor e a misericórdia de nosso bondoso Pai.

 

Ele ama como Jesus. 

 

Quando fracassa, corre direto para os braços de seu Pai misericordioso no sacramento da Reconciliação. Recebe a graça, o encorajamento e o amor para continuar tentando. Não se odeia por causa de suas falhas, mas recebe com gratidão a ternura e o olhar indulgente de Nosso Senhor.. 

 

Ele é amado como o filho pródigo. 

 

Como nosso mundo seria diferente se os homens levassem mais a sério o belo e nobre chamado à castidade? Como os corações dos homens mudariam se pudessem ver essa virtude como um dom - para si mesmos e para os outros?

 

Demos graças a Deus pelo Apostolado Courage, que ajuda aqueles que sentem atração pelo mesmo sexo a lutar por esse amor fraterno, paterno, cristão. E também pelo dom de nos ajudar a compreender mais plenamente nossa identidade de filhos amados. Tenhamos a esperança de que, por meio de nosso testemunho imperfeito, podemos contribuir um pouco para ajudar o mundo a entender melhor essa virtude frequentemente ignorada, mas desesperadamente necessária. 

 

*    *    *

 

Brian R. tem 33 anos e mora em Washington, DC, onde trabalha como enfermeiro em um asilo. Faz parte do Courage desde 2018 e está ativo nas células de Baltimore, Washington e Arlington. Ama atividades ao ar livre com amigos, café e um bom livro, e um tempo em silêncio diante do Santíssimo Sacramento.

 

https://couragerc.org/the-chaste-man-loves-differently/

segunda-feira, 11 de julho de 2022

[Esp] São Bento e a vitória sobre a tentação impura

 

A auto-mortificação de São Bento


SÃO BENTO E A VITÓRIA
SOBRE A TENTAÇÃO DA CARNE
.

 

Certa vez, quando estava só, apareceu-lhe o tentador: uma dessas avezinhas pretas, conhecidas vulgarmente pelo nome de melro, começou a esvoaçar em torno do seu rosto e a chegar importunamente tão perto que o santo homem, se o quisesse, a poderia apanhar com a mão. Em vez disto, fez o sinal da cruz, e o pássaro afastou-se. Desaparecida, porém, a ave, seguiu-se-lhe grande tentação carnal, qual nunca o santo experimentara. Conhecera outrora certa mulher, que o espírito maligno lhe fazia por essa ocasião voltar aos olhos do espírito, inflamando de tal modo o coração do servo de Deus a lembrança de sua formosura, que seu peito mal podia conter as chamas do amor, e que quase pensava em abandonar o deserto, vencido pela paixão. Mas eis que de repente foi contemplado pela graça celeste, e voltou a si; vendo, então, ao lado de si crescerem densas moitas de urtigas e espinhos, atirou-se, despido, a essas pontas e a essas chamas, onde se revolveu por tanto tempo, que, ao sair, estava ferido por todo o corpo. Assim expulsou do corpo, pelas feridas da carne, a chaga do espírito: convertera em dor a volúpia. Ardendo por fora em justa punição, apagou o que por dentro ilicitamente queimava. Venceu, pois, o pecado, porque transformou a natureza do incêndio. E a partir dessa época, como ele mesmo dizia aos discípulos, foi nele a tal ponto subjugada a tentação da volúpia que nunca mais a sentiu.

(Vida e Milagres de São Bento, de autoria de São Gregório Magno, Papa)


* * *


A Igreja nos apresenta o calendário litúrgico não para que para ele olhemos placidamente e peçamos bens materiais aos santos cujas festas são comemoradas em dias específicos. Os santos nos são colocados como modelos a serem seguidos, cabendo a nós vermos em seus exemplos as virtudes que devemos praticar em nossas vidas, afastando-nos dos ídolos (celebridades) apresentados pelo mundo.

Hoje é festa de São Bento, e diante desse mundo tão sexualizado no qual vivemos, vem seu ensinamento de como lidar com as tentações da carne. Como dizia São Domingos Sávio: “Antes morrer do que pecar”. É necessário sermos violentos contra as tentações impuras, o que não implica em sempre que elas aparecerem procurar uma roseira cheia de espinhos e se jogar nela. O exemplo de São Bento é: inclua mortificações em sua vida! Fuja das ocasiões de pecado! Somos muito acostumados com o conforto, e qualquer sacrifício é evitado. No entanto, sabemos muito bem que não há salvação ou santidade sem cruz.

Coragem!


segunda-feira, 4 de julho de 2022

[Esp] Meios para alcançar a castidade


MEIOS PARA ALCANÇAR A CASTIDADE


Quais são os meios eficazes para alcançar a virtude da castidade e superar os vícios contrários?


Responde-se que são os seguintes:


1. Ser devoto da Virgem Maria.

2. Pedir insistentemente este dom a Deus Nosso Senhor.

3. Fugir das ocasiões e perigos de pecar.

4. Afastar-se das más companhias.

5. Fugir da ociosidade, ocupando-se de forma honesta.

6. Frequentar os Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia.

7. Jejum e vida ascética.

8. Conhecer as tentações e resistir-lhes logo no princípio.

9. Ter, se possível, um só confessor, recorrendo a ele sempre que houver necessidade.

10. Dar-se ao exercício da oração mental (meditação).

11. Considerar os exemplos dos castos e estar advertido das desgraças que a impureza traz.

12. Andar na presença de Deus.

13. Discernir (com seu diretor) se é possível fazer uma promessa ou voto de castidade para vivê-la com mais perfeição.

14. Discernir e viver bem seu estado de vida.


Quem perseverar nesses esforços, não desanimando com as recaídas, nem se acovardando com as dificuldades contrárias, sem dúvida alguma alcançará de Deus esse dom preciosíssimo, e da tormenta das tentações chegará no alegre porto da paz e da tranquilidade de alma.


(extraído e adaptado do livro Armas da Castidade, do Padre Manuel Bernardes)

domingo, 24 de outubro de 2021

[Atld] Culpa vs. vergonha em uma era de promiscuidade sexual

 




Culpa vs. vergonha em uma era
de promiscuidade sexual


Por Michael K. Horne, Psy.D.


Um dos maiores desafios ao lidar com pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo é o conflito entre o que o mundo diz que trará felicidade e os nossos sentimentos. O mundo passa a mensagem de que devemos agir baseados em nossos impulsos, como se a verdadeira satisfação estivesse na busca desses desejos. Essa crença está na raiz da “cultura do ficar” – a ideia de que relações sexuais casuais autocomplacentes são o sinal de uma sociedade saudável e madura, liberta dos limites sufocantes de uma moralidade vitoriana ultrapassada ou de um conjunto antiquado de restrições religiosas.

A verdade é que a promiscuidade sexual não é libertadora nem saudável, não importa o quanto o mundo a exalte. O que tende a acompanhar a promiscuidade sexual é uma sensação de inquietação interna, que pode não ser devidamente reconhecida pelo mundo, mas é compreendida pela antropologia católica como culpa. A culpa não é ruim. Não deve ser ignorada ou anestesiada, mas sim ser vista como uma “luz de verificação do motor” para a alma. Se sentimos culpa depois de nos envolvermos em um certo tipo de comportamento, talvez esse comportamento não combine com nossa dignidade intrínseca como pessoa feita à imagem e semelhança de Deus. A culpa pode ser uma chamada à ação, aquela percepção incômoda de que o que estamos buscando verdadeiramente não nos trará prosperidade, ou uma relação satisfatória, ou seja lá o que buscamos, no fundo. Mas a culpa, se abordada inadequadamente, pode se transformar em sentimento de vergonha.

Uma forma de entender a diferença entre culpa e vergonha é que a culpa vem quando nos sentimos mal por algo que fizemos. Sentimos culpa quando magoamos alguém que amamos ou somos desonestos no trabalho, ou atacamos alguém sem motivo. Reconhecemos que o que fizemos é errado, e esse reconhecimento causa uma angústia interna baseada em nossas ações ou escolhas. A vergonha, no entanto, surge quando vemos nossas ações ou escolhas como erradas, mas internalizamos essa sensação de erro a tal ponto que começamos a nos ver como essencialmente errados ou maus. Nesse caso, a angústia interna vem da perspectiva de que nós, não apenas nossas ações, somos defeituosos, estragados ou inconvenientes. Esse sentimento de vergonha pode levar-nos a sentirmo-nos indignos de ser amados ou acreditar que não merecemos outra coisa senão a solidão. Um sentimento de vergonha esmagador pode causar tanta autoaversão que buscamos consolo naquela mesma atividade que nos levou a sentir vergonha inicialmente. Por exemplo, um jovem que vê pornografia com frequência sente culpa quanto a suas escolhas. No entanto, essa culpa traz consigo um sentimento de vergonha quando o jovem começa a acreditar que o uso da pornografia causaria rejeição por parte dos outros se soubessem a respeito disso. Começa a ver-se como indigno de ter relacionamentos saudáveis, o que o enche de frustração, maior solidão e desespero. E, nesse desespero, procura anestesiar a dor vendo pornografia. O ciclo continua e piora.

No entanto, há uma diferença entre a pessoa (quem somos) e a ação (o que fazemos). Essa diferença é, muitas vezes, ignorada no mundo moderno. Por termos a cosmovisão católica, conseguimos entender que a bondade e a dignidade da pessoa estão presentes mesmo quando as escolhas que ela faz não são objetivamente boas. Podemos julgar se uma ação é correta ou incorreta, ao mesmo tempo em que não entramos no mérito de a própria pessoa ser essencialmente boa. Da mesma forma, podemos amar a pessoa mesmo que não possamos aprovar seu comportamento ou suas escolhas, como quando essas escolhas envolvem comportamentos sexuais que não estão de acordo com o plano de Deus para a sexualidade humana – como a promiscuidade ou o consumo de pornografia.

Se, nessa experiência de culpa, somos capazes de reconhecer que um certo comportamento seja contrário à nossa busca do bem-estar e da prosperidade, podemos fazer uma escolha diferente. A capacidade de abandonar a busca egoísta do prazer ou da promiscuidade motivada por feridas emocionais e, em vez disso, aproximar-se da castidade, pode combater comportamentos que, enquanto visam à busca da felicidade, levam-nos a sentirmo-nos mais sozinhos e isolados dos outros em nossa vida.



Dr. Horne é o diretor de serviços clínicos da “Catholic Charities” da Diocese de Arlington. Ele obteve o doutorado em psicologia clínica pelo “Institute for the Psychological Sciences” (IPS) em 2009, quando se especializou em terapia infantil e escreveu sua tese de doutorado sobre videogames violentos e o impacto deles no jogador. Antes de fazer o doutorado, Dr. Horne trabalhou na televisão na KVR9 em Austin (Texas) e na Houston PBS. Dr. Horne trabalhou em muitas clínicas de saúde mental católicas, como a “Catholic Social Services” em Lincoln (Nebraska) e a “Alpha Omega Clinic” em Fairfax. Também teve a oportunidade de trabalhar como conselheiro escolar na Diocese de Arlington. É o autor de ”The Tech Talk: Strategies for Families in a Digital World” (“O Papo Tech: Estratégias para as Famílias no Mundo Digital”, em tradução livre) (Our Sunday Visitor, 2017). Dr. Horne e sua esposa, Kara, vivem em Fredericksburg com seus três filhos e são paroquianos da “St. Mary of the Immaculate Conception” (Santa Maria da Imaculada Conceição). (Biografia retirada do site da Diocese de Arlington)


(o artigo original pode se encontra aqui)


quinta-feira, 15 de abril de 2021

[Esp] São José Moscati - Médico e Leigo Celibatário

 

SÃO JOSÉ MOSCATI

MÉDICO E LEIGO CELIBATÁRIO





 

José Moscati era de uma família ilustre e muito rica. Seu pai, Francisco, era presidente do Tribunal de Justiça e sua mãe, Rosa de Luca, pertencia à nobreza. Ele nasceu na cidade de Benevento, Itália, no dia 25 de julho de 1880, e foi batizado em casa num dia de festa, a de santo Inácio de Loyola.

Em 1884, seu pai foi promovido e mudou-se para Nápoles com a família. Lá, o pequeno José fez seu primeiro encontro com Jesus eucarístico, aos oito anos. Naquele dia, foram lançadas as bases de sua vida eucarística, um dos segredos da sua santidade. Devoto de Maria e da Eucaristia, com apenas dezessete anos obrigou-se ao voto de castidade perpétua. Ativo participante da vida paroquial, participava da missa e comungava diariamente. Sua generosidade e caridade eram dedicadas aos pobres e doentes, especialmente aos incuráveis.

Quando seu irmão Alberto passou a sofrer de epilepsia, José passava várias horas cuidando dele. Foi então que decidiu seguir os estudos de medicina. No ambiente universitário, Moscati destacou-se pelo cuidado e empenho e, em 1903, recebeu doutorado de medicina com uma tese brilhante. Desde então, a universidade, o hospital e a Igreja se tornaram um único campo para suas atividades. Tornou-se médico do Hospital dos Incuráveis, onde logo ganhou admiração e o prestígio no domínio científico. Mas o luto atingiu Moscati, quando, em 1904, seu irmão Alberto morreu.

A reputação de Moscati como mestre e médico era indiscutível. Por isso foi nomeado, oficialmente, médico responsável da terceira ala masculina do Hospital dos Incuráveis, justamente a ala daqueles doentes pelos quais ele se empenhava e trabalhava com afinco.

No dia 12 de abril de 1927, como de hábito, depois de ter participado da missa e recebido Cristo eucarístico, foi para o hospital. Voltou para casa à tarde e, enquanto atendia os pacientes, sentiu-se mal e pouco depois morreu serenamente. A notícia de sua morte espalhou-se imediatamente e a dor se espalhou pela cidade.

No dia 16 de novembro de 1975, o papa Paulo VI proclama José Moscati bem-aventurado. A devoção a Moscati vai aumentando cada dia mais. As graças obtidas por sua intercessão são muitas.

De 1o. a 30 de outubro de 1987, em Roma, houve a VII Assembléia do Sínodo dos Bispos, cujo tema era: "Vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo, vinte anos após o Concílio Vaticano II". José Moscati foi um leigo que cumpriu sua missão na Igreja e no mundo. No Sínodo, após longos exames, a Igreja comunicou que ele seria canonizado, como um homem de fé e caridade, que assistia e aliviava os sofrimentos dos incuráveis.

No dia 25 de outubro de 1987, na praça São Pedro, em Roma, o papa João Paulo II colocou, oficialmente, José Moscati entre os santos da Igreja.

Sua festa litúrgica foi indicada para o dia 12 de abril. Seu corpo repousa na igreja do Menino Jesus, em Nápoles, Itália.

(Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br)

 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

[FH] Primeira Meta - Castidade - Imaturidade afetiva

 



Vivermos vidas castas de acordo com o ensinamento

da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da homossexualidade

(CASTIDADE)

 

IMATURIDADE AFETIVA

 

Conhecer os traços do comportamento da criança e do adolescente é conhecer as marcas da imaturidade, pois a criança e o adolescente são aqueles que ainda não amadureceram, que não atingiram o pleno desenvolvimento humano, que estão aquém da plenitude psicológica e afetiva atingível pelo ser humano.

Uma primeira marca do comportamento infantil é a sensibilidade como motivação do comportamento. A criança e o adolescente só agem sentindo, e só sentem o que é sensível. São incapazes de captar as razões abstratas, espirituais de uma atitude. Espontaneamente não fazem isto. Só pressionados. A primeira tendência é esperar o sensível, desejar o sensível, querer o sensível. Por exemplo, será excitante para elas a idéia de fazer uma viagem se for para um lugar em que há cascatas para tomar banho, frutas para saborear, cavalos para montar... Se for só para cumprimentar os proprietários, não se entusiasmarão.

Ao passo que o adulto integrado sabe agir por motivos que não são sensíveis. Age até contra a sensibilidade, contra o prazer, se for preciso. O adulto sabe perder um filme para ir saudar o aniversariante.

Em razão da sensibilidade, a criança e o adolescente são egocêntricos. Pensam primeiro neles mesmos. Procuram primeiro o bem deles.

Veja uma criança. É cercada de Serginho por todos os lados, se o nome dela é Sérgio.

O adulto psicologicamente desenvolvido, por outro lado, tem a aptidão de *pensar nos outros*, de sentir com os outros, de decidir pensando primeiro nos outros.

Por causa do egocentrismo, a criança e o adolescente não sabem conviver, manter relações satisfatórias. São individualistas. Quando convivem ou mantém relações, é sempre na perspectiva do “jogo” pessoal, de tirar vantagem, interessados nos lucros que vão obter. Tanto que, quando essas possibilidades desaparecem, o adolescente deixa o grupo, a criança se amua.



Por isso, a criança e o adolescente podem viver em grupo, mas não gostam da vida comunitária, já que ela frequentemente exige *adaptação, altruísmo*, atitudes que deixam o ego depois do alter, que pospõem o eu ao tu. Criança e adolescente não toleram esse esforço.

Não é sadia a imaturidade psicológica no adulto. É um fenômeno anormal. Normal é que o psiquismo vá se desenvolvendo passo a passo com o corpo, amadurecendo à proporção que o corpo amadurece.

Quando vemos um adulto somático com reações egocêntricas, defrontamo-nos com um psiquismo que estacionou na adolescência, dentro de um corpo que prosseguiu sua evolução.

 

Reflexão

 

Sou maduro afetivamente? Ainda reajo como como criança ou adolescente? Quais são os pontos de minha afetividade que tenho de corrigir ou melhorar? Procuro ajuda para isso ou continuo dando desculpas?

 

(Texto para reflexão, extraído do livro “A vida afetiva dos que não se casam”, do padre João Mohana)

 


sábado, 17 de outubro de 2020

[Esp] Como anda sua relação com Maria?

 



O relacionamento com Nossa Senhora

 

Santa Maria é modelo de todas as virtudes, mas por ser Imaculada e sempre Virgem foi designada a ser o principal modelo de pureza. Por isso, relacionar-se com ela, de forma confiante e filial, é um recurso de primeira ordem para alcançar essa virtude.

“Todos os pecados da tua vida parecem ter-se posto de pé. – Não desanimes. Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança. Ela trará o sossego à tua alma” (São Josemaría, Caminho, n. 498).

Se você nunca abandonar esta relação com Nossa Senhora, nem mesmo diante das dificuldades, das quedas e derrotas, ela fará com que você esteja preparado no momento fundamental da vida: no de entregar a alma a Deus. Nossa Mãe é especialista em conseguir isso, às vezes aos 45 do segundo tempo.

Certa vez, um jovem sacerdote recebeu um telefonema: uma voz nervosa pedia-lhe para atendesse um moribundo no seu leito de morte. Mas adiantou-lhe que seria difícil, porque os amigos e parentes não queriam ver um padre na casa “nem pintado de ouro”. Um grande desafio, por isso confiou-se à Virgem e se pôs a caminho.

Toca a campainha, abrem-lhe a porta, e a primeira impressão: uma mistura de rostos de surpresa e desagrado. Mas ele não se detém, e vai para onde pressupõe ser o quarto da pessoa doente, que o recebe com um rosto alegre, mas também surpreso. Logo reconheceu que era a mesma que o chamara por telefone:

-- Deixaram-no entrar?

-- Vi expressões de susto e gestos ofensivos, mas Nossa Senhora pode mais.

-- Obrigado. Não tenho muito tempo. Quero confessar.

Era óbvio que não lhe restava muito tempo de vida. Não se confessava há muitos anos, e assim fez. Mas antes de o padre sair, quis explicar-lhe esse milagre.

-- Estive longe da Igreja durante quarenta anos. E o senhor deve se perguntar por que chamei um sacerdote. Minha mãe, quando estava morrendo, reuniu os seus filhos e nos disse: “Olhem. Não lhes deixo nada. Mas cumpram este testamento que lhes dou: rezem três Ave-Marias todas as noites”. E eu o cumpri.

Depois de anos, o padre não se esqueceu da última cena: “Morria enquanto cantava. Para mim, tudo parecia uma canção: eu o cumpri, eu o cumpri”.

 

(INSA, Francisco. Olhar com os olhos de Jesus: viver uma vida pura no século XXI. São Paulo: Cultor de Livros, 2019)

 

domingo, 4 de outubro de 2020

[Esp] São Francisco de Assis


 


SÃO FRANCISCO DE ASSIS



Falando do santo de hoje, confesso que nunca fui muito seu devoto. Aquele santo com animaizinhos, da oração da paz, um pouco... açucarado demais... bem, não me atraía muito. Sempre gostei de santos como São Francisco Xavier, com suas aventuras, Santo Inácio de Loiola, com todo seu combate para fundar a Companhia de Jesus, Santa Teresa de Ávila (a Teresona, como dizem alguns que se acham "mais íntimos"), reformando e espalhando Carmelos. Mas São Francisco... hummmm... não descia.

Depois de um tempo, estudando História da Igreja (o que todo católico deveria fazer), um outro São Francisco apareceu. Poxa, mas não é o mesmo São Francisco tão fofinho que me apresentaram. Não, não mesmo! E vi que o São Francisco atual comparado com o Poverello de Assis poderia ter causado coma diabético ao fundador de uma das Ordens que salvou a Igreja com sua pregação e exemplo. Esse homem foi pregar a religião para um sultão maometano, querendo convertê-lo e trazê-lo para a religião verdadeira (e não ficar de conversinha). Francisco era REALMENTE pobre, e abriu mão de riquezas a que poderia ter direito por herança, enquanto outros religiosos ontem e hoje são pobres apenas no voto e não na prática. Não quis ser sacerdote, apesar de ter sido convidado a sê-lo, por não se achar digno... Ele, gente, que alguns dizem ter substituído Lúcifer no céu, por causa de sua humildade, NÃO ACEITOU SER SACERDOTE... enquanto outros se acham, mesmo com uma vida desregrada, com a Igreja dizendo que é melhor não por causa de algumas condições, no direito de o serem. 

Mas que Francisco é esse... Mentiram pra mim sobre Francisco!!! Ora, sim, a ele se atribuiu o Cântico das Criaturas, como elas são: criaturas, não deuses divinizados pelo mundo moderno que adora deturpar o real sentido de tudo que foi alcançado pela civilização cristã. Francisco não endeusava as criaturas, mas via nelas a mão de Deus, um vestígio, uma imagem que cantava a glória do Criador, mas não iguais em dignidade ao homem, ápice da criação e imagem de Deus. Não, Francisco não era o docinho moderno... era um homem de Deus, e como homem de Deus sabia que o negócio mais importante da vida é a salvação das almas dos homens.

Francisco mudou pra mim. O homem se revelou, o santo me ajudou. Que exemplo de homem, que santo a imitar... E a descoberta foi também sua pureza angélica, pela qual ele se sacrificava muito para sempre a manter.

Sim, ele foi penitente. Extremamente penitente: além de pregar a penitência, ele a vivia. Transcrevo aqui um trecho do livro NA LUZ PERPÉTUA - VIDAS DE SANTOS, de João Batista Lehmann (http://alexandriacatolica.blogspot.com/.../inicie-o-ano...), narrando como ele era mortificado, principalmente para se defender contra a impureza.

"O maior cuidado do Santo era dar aos companheiros e discípulos uma sólida formação religiosa [ou seja, estudem de verdade um catecismo católico se quiserem falar de religião, não invencionices da própria cabeça ou de outrem], como era necessário a homens que se destinavam a ser instrumentos na mão de Deus, para a salvação das almas. Em todas as virtudes lhes servia de exemplo o mais perfeito. A penitência, que a outros pregava e que queria que pelos seus fosse pregada, teve em Francisco o principal representante. Raras vezes tomava a comida cozida e, tomando-a, estragava-lhe o gosto, misturando-a com cinza ou água. Além dos quarenta dias do jejum quaresmal, intercalava Francisco um outro jejum equivalente, que começava depois da Epifania. De jejum eram os dias entre as Festas de S, Pedro e da Assunção de Nossa Senhora. As festas de S. Miguel e de outros santos Anjos eram acompanhadas de jejuns quadragesimais. Servia-lhe de leito o chão, fazendo uma pedra ou um toco às vezes dum travesseiro. O hábito era de fazenda grosseira. Todos os dias sujeitava o corpo à dura flagelação. A intenção em todas estas mortificações era fazer penitência pelos pecados cometidos e precaver-se de faltas futuras, bem como para defender-se contra TENTAÇÕES IMPURAS. Acometido uma vez de tentações fortíssimas contra a pureza, o santo homem revolveu-se na neve, a ponto de perder a sensibilidade.

O Poverello, não mais o açucarado, mas o Frei Francisco, combatia as tentações de forma violenta: não reclamando, não falando pra si mesmo que era fraco como desculpa, não clamando a Deus como se apenas Ele tivesse que fazer alguma coisa, de forma mágica, sem sua colaboração. Não. Aquele homem humilde se jogou na neve, porque teve tentações fortíssimas contra a pureza. Um dos maiores santos, aquele que recebeu os estigmas de Cristo, teve tentações fortíssimas, e eu reclamando das minhas... Eu que sou orgulhoso, quero fazer a minha vontade, que considero vontade de Deus o que é pura quimera de minha cabeça... Não, São Francisco, você não é realmente o que eu pensava. A sua humildade me ensina a aceitar as cruzes que Deus permite em minha vida, entre elas a AMS (atração pelo mesmo sexo). Não, eu não tenho que ficar me lamentando de não poder ter sido isso ou aquilo... Eu quero ser santo, São Francisco! Como Santo Inácio, eu também digo: se você pode amar tanto a Deus, ser tão humilde, eu também posso! Intercede por mim?

E você? O que são Francisco pode te ensinar? Coragem! Se ele pode, você também pode, desde que seja humilde.

 

Marcos

sexta-feira, 26 de junho de 2020

[Esp] São Pelágio, mártir da pureza


Há santos pouco conhecidos, mas que devem ser relembrados por seu exemplo de fidelidade às virtudes. São Pelágio, cuja devoção é pouco divulgada no Brasil, é um deles. Um homem poderoso e cheio de riquezas tentou aliciá-lo, mas foi fiel à Deus e à virtude da castidade, o que o levou a ser morto. Estamos assim dispostos a proteger esse tesouro que é a pureza? Peçamos a São Pelágio que nos consiga de Deus a mesma coragem para não cedermos à tentação que tanto nos acomete em nossos dias.



SÃO PELÁGIO,MÁRTIR DA PUREZA



 

Era São Pelágio natural da Galiza. Pelágio, nome muito usado naquele tempo, por corrupção degenerou em Pelaio e Paio. seu pai, homem rico, era irmão de Hermígio, bispo de Tuy nos princípios do século X. A ocasião da sua vinda a Córdova, que foi a do martírio, refere-o um sacerdote dessa cidade chamado Raguel.

Ensoberbecido. Abderramão III, rei emir de Córdova, quis assenhorear-se das restantes províncias da Espanha, habitadas pelos cristãos. Para tal fim chamou em seu auxílio, aí por volta do ano 920, os mouros de África. Com um exército numeroso e bem equipado entrou por Castela no reino da Galiza, ao tempo em que D. Ordonho II, rei de Leão, o era também daquela província.

Sabendo este religioso príncipe a determinação do orgulhoso agareno, e auxiliado por D. Garcia, rei da Navarra, e pelos Grandes e prelados de ambos os reinos, marchou a conter o ímpeto dos bárbaros. Encontraram-se as duas hostes. Sendo incomparável o número dos cristãos com o dos mouros, tocou a vitória a estes. Voltaram os mouros a Córdova, vencedores e carregados de despojos.

Entre os muitos cativos que levavam, ia Hermígio, bispo de Tuy, a quem puseram carregado de grilhões numa obscura masmorra. Tinha em Córdova alguns amigos, que angariou por ocasião da sua estada naquela cidade, donde trasladou as relíquias de santo Eulógio. Tratou. ao cabo de ano e meio, do seu resgate, oferecendo aos mouros as somas que quisessem pedir. E, para cumprimento da palavra, teve de deixar como refém o sobrinho Pelágio, menino de rara formosura e extraordinários talentos.

O ilustre menino sofria resignado as durezas da prisão, não se queixando nem lamentando como os outros cativos. Escolheu para mestre a S. Paulo, lendo as suas cartas e meditando os seus trabalhos apostólicos. Guardava tanta gravidade em todas as conversas que detinha os que se desmandavam e se, por acaso, os infiéis tratavam algum ponto de doutrina, confundia-os com a verdade da fé revelada. Não podia o inimigo da salvação ver com indiferença os progressos feitos por Pelágio na virtude e, por isso, quis perdê-lo.

Um filho ou pajem de el-rei viu por acaso na prisão o menino cristão de rara formosura e, ponderando o caso a Abderramão, este o mandou vir imediatamente à sua presença. Ardendo este nos mais torpes desejos, fez-lhe grandes ofertas, procurando afastá-lo do amor a Jesus Cristo e à sua lei. Este respondeu: «Fica sabendo que tudo quanto me ofereces tem um fim mortal; não assim os bens que, sendo cristão, espero conseguir. Jamais negarei ao meu Senhor Jesus Cristo, a quem adoro e confesso por verdadeiro Deus».

Pareceu a Abderramão que estas expressões nasciam de um coração pueril e, querendo acariciá-lo, tocou-lhe brandamente no rosto, dizendo palavras aliciadoras. Mas Pelágio, revisto de um valor superior à idade, repeliu-o, dizendo: «Desvia-te; pensas acaso que eu sou algum dos teus efeminados lacaios?». Fiou o rei a empresa a uns cortesãos lisonjeiros, os quais não omitiram meio algum de quantos podiam contribuir para perverter o nobilíssimo mancebo.

Vendo Abderramão que era inflexível a resistência de Pelágio, trocou a sua amorosa paixão em raivosa cólera, mandando imediatamente que, levantando-o do chão com umas tenazes de ferro, o deixassem cair muitas vezes e com grande crueldade, até que, ou negasse a Jesus Cristo, ou acabasse a vida nos tormentos. Arremeteram contra Pelágio os verdugos e começaram a fazer em seu corpo a carniçaria que aquele lobo ordenara. Despedaçavam-no com algazarra, sem em seus rostos se ver sombra de piedade. Levantava o menino as mãos para o céu, pedindo a Deus fortaleza para consumar o sacrifício. Imediatamente lhas derribaram com o alfange. Outros lhe cortaram os braços, outros os pés, decapitando-o em seguida. Feito assim em pedaços, o lançaram ao rio Guadalquivir.

Durou este glorioso combate desde as onze e meia da manhã até às duas da tarde do dia 26 de Junho de 925, o qual foi domingo naquele ano. Foi assim despedaçado aos 13 anos. O seu culto veio a tornar-se popular em Portugal.

(O texto original pode ser encontrado aqui)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

[FH] Mulheres que não se casam






MOÇAS QUE PERMANECERAM

SOLTEIRAS NO MUNDO




Há muitas jovens que não se casam. Algumas não sentem desejo, nem inclinação para o casamento, mas não pensam tampouco em ser freiras, e destarte permanecem solteiras por sua livre escolha. Outras há que optariam pela vida conjugal, mas o destino e as circunstâncias não lhes permitem dar tal passo. Devem estas fazer de necessidade virtude e, com sujeição cristã, reconhecer a mão de Deus, no governo de sua vida, entregando-se humilde e pacientemente à sua santa vontade.

Desejaria fazer agora algumas observações para louvor e consolação dessas almas.



1º – AS JOVENS QUE PERMANECEM SOLTEIRAS

SÃO GRANDES PERANTE DEUS



Serão grandes perante Ele, se guardaram fiel e integralmente a pureza virginal; pois, mediante esta virtude, se tornam particularmente agradáveis a Deus. A elas se aplica o alto encômio da Sagrada Escritura: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Sua memória é imortal, e é louvada diante de Deus e diante dos homens”. (Sal., 4,1) Santo Efrem exclama entusiasmado: “Oh! Virgindade! Tu és o que o Autor de todas as coisas ama com predileção e em ti ocultou riquezas imperecedouras!”

Estas moças serão grandes perante Deus, se rezarem bem e com fervor. Enquanto os demais membros da família desprezam a oração ou a fazem com negligência, elas se entregam muitas vezes a este piedoso exercício conscienciosamente. Oram durante o dia, quando os outros se preocupam em coisas materiais, oram durante a noite e se prostram diante de Deus em seu quarto silencioso, enquanto os demais se entregam somente ao descanso e às diversões; oram na igreja diante do Santíssimo Sacramento, que em regra ninguém como elas tão assiduamente visita; oram durante o trabalho que executam com boa intenção, para honrar e servir a Deus.

As moças que permanecem solteiras são, freqüentemente grandes diante de Deus, em virtude do sacrifício que lhe oferecem. Sacrificam por vezes a sua juventude, com as alegrias e prazeres permitidos a essa idade; sacrificam um casamento que lhes promete esperanças e, com isto, segura garantia para o porvir.

Tais sacrifícios e outros semelhantes fazem-nos elas generosamente, às vezes, por amor de Deus, a quem consagram a sua virgindade, as suas aspirações e toda a sua vida; fazem-nos por amor a seus pais, dos quais desejam ser tutoras na velhice e nas enfermidades ou fazem-nos também por amor de seus irmãos menores, a cuja subsistência já não podem os pais prover sozinhos. Sujeitam-se, destarte, às privações e, durante longos anos, vão acrescentando sacrifícios a sacrifícios, a fim de providenciarem pelo futuro dos seus irmãos. São almas generosas, heroicamente generosas, que merecem a nossa inteira estima a admiração. Como são elas grandes diante de Deus! Como são pequenos e mesquinhos os insensatos, que só tratam com desprezo tão nobres e generosas donzelas!



2º – AS MOÇAS QUE PERMANECEM SOLTEIRAS

SÃO TAMBÉM UMA BENÇÃO PARA OS OUTROS



Em primeiro lugar, para os próprios parentes. Que de vezes não é uma destas moças a consolação e o arrimo dos velhos pais, que ela envolve de amor e carinho! Depois da morte dos pais, não raro se faz educadora dos irmãos e irmãs menores, cuja mãe ela substitui, e para os quais ela será o amparo e sustentáculo nos seus anos perigosos da juventude!

Mais de um exemplo deste gênero tenho eu conhecido. Além disso, amiúde se transforma, como boa e querida tia, em benfeitora para os filhos de um irmão ou irmã casados. É ela com frequência a causa que impede que desapareça da casa dos parentes o bom espírito cristão. Se ela tivesse casado houvera

contribuído para o bem de uma só família, ao passo que ficando solteira contribui para a salvação de três ou quatro famílias, sem que por sua humildade, sequer, o perceba.

A benção da vida e ações de tais donzelas sói, contudo, estender-se a um círculo mais amplo. Quão útil não é, por vezes a uma comunidade inteira o seu exemplo de virtudes! Como esparzem, de quando em quando, os seus benefícios, em toda parte. Que ricos presentes não oferecem para as missões, para o socorro das pobres crianças abandonadas e para outros fins nobres! Que de sacrifícios e esforços não se impõem elas em favor de uma boa causa! Nenhum passo lhes é penoso, nenhum retrocesso molesto.

Não são essas jovens a força motriz e o sustentáculo das associações pias, da Obra dos Tabernáculos e de outras sociedades beneficentes? O que uma única jovem, animada de espírito reto, é capaz de realizar, demonstra-o o exemplo de uma rica dama de Hamburgo. Esta dama com grande pesar observou a triste situação e o abandono moral em que viviam tantos marinheiros, nos portos marítimos, privados de bens materiais e de assistência espiritual.

Fundou então, uma sociedade, onde eles pudessem encontrar o necessário para á vida. Teve a grande alegria de observar que muitos voltaram ao cumprimento dos deveres religiosos e a uma vida de virtudes. Aqueles marujos reconheciam-na como mãe e no alto mar canções em sua homenagem.



3º – CONSELHOS E EXORTAÇÕES PARA AS MOÇAS

QUE SE CONSERVAM SOLTEIRAS



Em primeiro lugar, digo-vos: alegrai-vos! Pode acontecer que sejais obrigadas a renunciar a certas doçuras da vida, e que a solidão, que talvez com o correr dos anos se vai fazendo em torno de vós, vos pareça molesta. Pode acontecer eu os vossos parentes e conhecidos são se mostrem justamente gratos por todos os favores que lhes fizestes, e por todos os benefícios que lhes dispensastes. Parentes e conhecidos há, demasiado exigentes, em relação a uma jovem solteira, os quais desfrutam-lhe de tal maneira a bondade, que ela mesma ao depois se vê em dificuldades ou sofre até verdadeiras privações.

Cumpre-vos ser prudentes e em certas circunstâncias permanecer firmes e resolutas contra todas as tentativas que tenham por fim explorar vossa bondade. Sejam quais forem, as experiências por que passardes, guardai-vos do enfado e descontentamento, por quanto, se estes vos dominarem, vosso caráter e toda a vossa vida se envenenarão: vireis a ser insuportáveis e, com o tempo, intoleráveis nas vossas relações com os outros e vossa língua se tornará asperadamente ofensiva.

Cumpre-vos, pois, combater sem tréguas, qualquer sentimento desagradável ao coração; adorai a santa vontade de Deus, que só tem em vista o vosso verdadeiro bem; oferecei-lhe, alegremente, tudo quanto na vossa situação sois forçadas a suportar. Lembrai-vos também que mercê da vossa condição de solteiras, estais livres de muitas cruzes e sofrimentos; pois o estado conjugal é, em regra, para a maioria um estado de dores e contrariedades.

Aproximai-vos muito amiúde dos santos Sacramentos e recebei-os sempre com boa preparação. Assisti, quando as condições o permitirem, assiduamente, e mesmo todos os dias, à Santa Missa, e uni os vossos sacrifícios ao sacrifício infinitamente precioso de Jesus Cristo. Rezai com toda a piedade, praticai uma ou outra devoção predileta, por exemplo, a devoção à Santíssima Virgem, e, sobretudo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ela é tão particularmente salutar e rica de graças para nós.

Guardai-vos, porém, na vossa piedade contra toda manifestação ruidosa de sentimentalismo e desagradáveis singularidades; exercitai-a de preferência, com certa jovialidade de espírito, por um trabalho atento e alegre, por um afável julgar e falar a respeito dos outros. Finalmente, mostrai-vos úteis, segundo as vossas forças e sede benfazejas. Se fordes ricas e abastadas, isto vos será fácil e podereis espalhar em torno

de vós muitas bênçãos. Se não fordes ricas, mas dedicadas ao trabalho e razoavelmente econômicas, ainda podereis fazer muito bem.

Existem almas nobres que passam fazendo o bem. Em todas as circunstâncias e em qualquer profissão, como: de costureiras, empregadas, funcionárias, que com o dinheiro que economizam, distribuem ricos donativos para nobres fins. Como Deus é infinitamente bom recompensará um dia generosamente a estas boas almas por tudo que fizeram! “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.



(Donzela Cristã – Pe. Matias De Bremscheid)

sábado, 1 de fevereiro de 2020

[FH] Vivendo a vocação de solteiro


VIVENDO A VOCAÇÃO DO CELIBATO
Pelo Padre Robert P. Maloney, C.M.




Ponha cada um ao serviço dos demais a graça que recebeu,
como bons admiradores das diversas graças de Deus.
I Pedro 4, 10

O Reino de Deus e a paz no Espírito Santo.
Deus reinará em vocês, se o seu coração estiver em paz.
SV I, 114

Todos vivem uma significativa parte da vida como solteiro ou solteira, buscando o Senhor neste estado e tentando discernir que direção tomar em um futuro incerto. Alguns escolhem ficar solteiros por toda a vida. Outros ficam solteiros por um tempo considerável, buscando um parceiro ou parceira para o casamento; este período é em geral muito longo, dado que a idade em que os jovens decidem se casar tem aumentado na maior parte dos lugares do mundo. Outros ainda continuam na vida de solteiros não por sua inclinação, mas por uma variedade de circunstâncias algumas escolhidas por livre vontade e outras impostas. E outros enfim se casam e se tornam solteiros novamente pela morte do cônjuge ou pelo fim de seu casamento.
(...)
A vocação para solteiro tem suas belezas e fardos. Como todas as vocações, não deve ser um fim em si mesma, mas um caminho para doar-se a si mesmo.
Sua beleza reside nas oportunidades única que oferece. Permite tempo abundante, liberdade e flexibilidade para explorar múltiplas possibilidades para pôr-se a serviço dos outros. A pessoa solteira tem mobilidade uma vez que não estabeleceu um compromisso com uma comunidade de pessoas, como fazem as pessoas casadas. Por esta a razão, a vocação para solteiro demanda um contínuo e cuidadoso discernimento sobre como doar a sua própria vida.
Os solteiros têm também a oportunidade de uma considerável introspecção, especialmente se vivem sozinhos. Esta introspecção os convida a concentrar-se em Deus através da oração.
No entanto, como todas as vocações, a do celibato tem os seus fardos. A solidão é um deles. O desafio para o solteiro é encontrar formas saudáveis de sair da solidão e construir uma relação de auto-doação aos outros. Uma vez que os solteiros não geram uma nova vida nos filhos, é crucial que os que se decidem por esta vocação conheçam como podem gerar vida e como podem dedicar os dons de Deus aos que os circundam. As possibilidades são muitas: através do ensino, das profissões relativas à saúde, das contribuições artísticas, da pesquisa, da escrita e do serviço direto àqueles em necessidade,
O segundo fardo é a falta de um sistema de apoio ao crescimento. Este vácuo força o solteiro a construir amizades que efetivamente contribuam para a criação de um ambiente saudável ao crescimento pessoal. De fato, amigos são importantes para todos, mas são muito mais importantes para os solteiros. Os diversos ramos leigos da Família Vicentina [assim como as células do Courage] podem oferecer este ambiente de amizades saudáveis, assim como de apoio aos solteiros, sejam jovens, de meia-idade ou idosos.
E imperativo que aqueles que são solteiros por circunstâncias involuntárias ou por relações terminadas, evitem a formação de sentimentos de frustração e alienação. Jesus nos assegura que Deus nos mostra a sua Providência, mesmo em momentos de tentação. Encoraja-nos a rezar por aqueles que nos magoam. Na medida em que pedimos a bênção de Deus para eles a bênção da cura virá sobre nós. Nós somos verdadeiramente abençoados quando o amor e o perdão suplantam a hostilidade e o ódio.
A pessoa solteira jovem, na medida em que passa da infância para a adolescência e para a fase adulta, se defronta tanto com oportunidades únicas, quanto com desafios significativos.
A juventude é um tempo de aprendizado. Apresenta uma grande plasticidade. A vida de um jovem muda muito rapidamente, e, algumas vezes, drasticamente. O lado positivo desta plasticidade é a capacidade do jovem de se ajustar, de se formar e crescer.
Pessoas jovens têm uma ânsia natural por aprender a amar. A busca por relacionamentos fortes ocupa um grande espaço em sua agenda. Ao mesmo tempo, muitos são atraídos na direção da transcendência: buscam um amor que vai além da experiência do amor do dia-a-dia.
Um sínodo mundial de Bispos elaborou a seguinte mensagem à juventude:
Vocês jovens, vocês são as “sentinelas do amanhecer” (...) Como o Senhor da História Ihes pede para construir uma civilização do amor? Vocês têm um senso muito claro do que a honestidade e a sinceridade exigem... Como podemos ser juntos discípulos de Jesus e colocar em prática o ensinamento de Cristo no Monte das Bem-aventuranças? (10ª Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 30 de setembro a 27 de outubro de 2001).
A Igreja chama a juventude para cantar uma canção para despertar o mundo assim como fazia o sentinela no mundo antigo, que se colocava de pé sobre o muro da cidade, cheio de vontade de pegar o primeiro raio do sol nascente e proclamar a sua chegada. É claro que na visão cristã do mundo, o sol nascente que proclamamos é Jesus, o Senhor Ressuscitado. Nossos grupos de jovens da Família Vicentina [assim como as células do Courage] oferecem ao jovem uma formação profunda e gradual em como seguir Cristo na amizade e em formas concretas de servir Cristo na pessoa do Pobre.
Os jovens, em seus anos de formação, na escola ou com seus pares, devem buscar ter uma profunda confiança na presença do Senhor Ressuscitado e desenvolver uma espiritualidade profundamente centrada no Evangelho. Isto é especialmente possível em uma família em que os membros têm esta mesma confiança no Senhor e apoiam-se mutuamente na vivência de vida do Senhor.
Nos seus últimos anos, muitos que um dia foram casados se tornam sozinhos novamente. Idealmente, a serenidade da paz, a confiança alegre, a conversão contínua e a oração frequente devem caracterizar esta fase final da vida. É claro que o desafio é manter-se no crescimento contínuo do amor evangélico, na prática do dia-a-dia. Aqui novamente as nossas associações leigas vicentinas podem oferecer oportunidades muito ricas.
É maravilhoso ver pessoas envelhecendo e continuando a ser criativas e mantendo um coração jovem. Para pessoas solteiras idosas, os últimos anos da vida oferecem uma oportunidade especial para desenvolverem em si mesmas dimensões contemplativas e de serviço. É também um tempo de reconciliação com o passado para curar feridas, para aceitar os sonhos que não puderam ser realizados e para avaliar a realidade de suas vidas.
A palavra “solteiro” significa “único” e também significa “sozinho”. A vida de solteiro é única porque não é facilmente caracterizada; permite múltiplas possibilidades para a doação pessoal. “Solteiro” significa “sozinho” no sentido de que, voluntária ou involuntariamente o solteiro, anda no caminho do Senhor, sem um cônjuge. A intimidade orante com o Senhor ajudará a curar a dor da solidão e transformará a vida do solteiro em fértil e profunda.
Na vivência de sua vocação é especialmente útil para os solteiros:
  • manter uma postura de bom discernimento ao longo da vida iniciando com a busca inicial de uma carreira na juventude, passando por uma vida adulta voltada para o serviço e culminando com os últimos dias, quando vocês têm momentos de maior liberdade e de mais possibilidades de escolha;
  • desenvolver um sentido para a sua vocação pessoal única, compreendendo as formas pelas quais o Senhor o chama a doar-se;
  • focar generosamente no serviço prático e efetivo dos demais, dirigindo seu tempo e seus talentos para as pessoas com necessidades à sua volta;
  • alimentar a dimensão contemplativa da vida tomando tempo para a oração silenciosa, evitando a tentação de escapar da solidão através de longas horas vendo TV, navegando na internet ou perdendo tempo com coisas que têm valor limitado ou negativo;
  • formar amizades saudáveis que possam prover apoio humano e fortalecer a sua vida no Senhor.