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terça-feira, 29 de agosto de 2023

[FH] 9 reflexões dos santos sobre os grandes amigos: "são a metade da alma de uma pessoa"

 

9 reflexões dos santos sobre os grandes amigos:
“são a metade da alma de uma pessoa”

 

 

No Dia Internacional da Amizade, que se celebra no dia 30 de junho,
enumeramos o que pensavam os grandes santos da Igreja
sobre o valioso dom da amizade:
"Sem sorriso não é possível demonstrar amizade".

  

J. C. 19 de agosto de 2023

 

"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos"... "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos". A Bíblia contém uma infinidade de passagens que falam da verdadeira amizade.

Por exemplo, ninguém pode duvidar da amizade que existia entre Jesus e Lázaro, entre João e a Virgem Maria, entre Maria e sua prima Isabel, etc. Os verdadeiros amigos se encorajam, ajudam e estimulam mutuamente a praticar o bem. O ser humano não pode viver isolado.

No entanto, com a vinda de Cristo, a amizade adquiriu um sentido novo. O amigo é aquele que descobriu o valor e a dignidade do irmão, à luz do Evangelho. Esta amizade sincera foi muito considerada entre os primeiros cristãos nas catacumbas.

Mas não só a Bíblia. A própria história da Igreja tem exemplos de profunda amizade: Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, São João de Deus e São João de Ávila, São Francisco de Assis e Santa Clara, São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier, Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II, São Basílio e São Gregório...

O divulgador Daniel Atapuerca colheu o que pensavam os grandes santos sobre o valioso dom da amizade.

 

-Santo Agostinho:

"Se precisas de uma mão, lembra que eu tenho duas."

"Nem sempre aquele que é indulgente conosco é nosso amigo, nem o que castiga é nosso inimigo. Melhores as feridas do amigo que os beijos enganadores do inimigo. Melhor amar com severidade que enganar com doçura."

"Um amigo é a metade da alma de uma pessoa."

"Amando ao próximo e cuidando dele, percorres teu caminho. Ajuda o que está ao teu lado enquanto caminhas neste mundo, e chegarás àquele com quem desejas ficar para sempre."

"Disse muito bem quem definiu o amigo como metade da própria alma. Tinha de fato a sensação de que nossas duas almas fossem uma só em dois corpos."

"A amizade é tão verdadeira e tão vital que no mundo não se pode desejar nada mais santo e vantajoso."

 

-Santa Teresa de Jesus:

"A amizade é a realização mais autêntica da pessoa."

"A amizade com Deus e a amizade com os demais são a mesma coisa. Não podemos separar uma da outra."

"Procuremos sempre olhar as virtudes e coisas boas que virmos nos outros e tapar seus defeitos com nossos grandes pecados."

 

-Santo Tomás de Aquino:

"Qualquer amigo de verdade quer para seu amigo: que exista e viva; todos os bens; fazer-lhe bem; desfrutar de sua presença; e partilhar com ele as próprias alegrias e tristezas, vivendo-as com ele com um só coração."

"A amizade diminui a dor e a tristeza".

 

-Santa Teresa de Calcutá:

"Devemos ir em busca das pessoas, porque podem ter necessidade de pão ou de amizade."

"As palavras de amizade e consolo podem ser breves e sucintas, mas seu eco não tem fim."

 

-Santa Catarina de Sena:

"A amizade que tem sua fonte em Deus não se extingue nunca."

"Tendo Deus como amigo, viverás na luz da fé, com esperança e fortaleza, com verdadeira paciência e perseverança, todos os dias de tua vida. Nunca estarás só, e nunca temerás a ninguém nem a nada, porque encontrarás tua segurança em Deus."

 

-São João Bosco:

"Sem sorriso não é possível demonstrar amizade."

"Aquele que, com palavras, discursos, ações, desse escândalo, não é um amigo, é um assassino da alma."

"Procurai sempre viver na amizade de Deus."

"Domina teus impulsos e terás muitos amigos e nenhum inimigo."

 

-São Francisco de Sales:

"Ama a todos os homens com um grande amor de caridade cristã, mas não mantenhas amizade senão com as pessoas com as quais conviver possa ajudar-te, e quanto mais perfeitas forem essas relações, tanto mais perfeita será tua amizade."

"No mundo, é necessário que aqueles que se dedicam à prática da virtude se unam com uma santa amizade, para exortar-se mutuamente e manter-se nestes santos exercícios."

 

-Santa Teresinha do Menino Jesus:

"Faz-nos muito bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde à nossa dor."

 

-São João Paulo II:

"O que corresponde a uma pessoa é ser tratada como um objeto de amor, não como um objeto para usar."

"A pior prisão seria um coração fechado."

"A amizade, como foi dito, consiste em um compromisso pleno da vontade com outra pessoa, tendo em vista o bem dessa pessoa."


(a matéria original pode ser encontrada aqui)

 

sábado, 24 de junho de 2023

[Tst] O homem casto ama de forma diferente

 

O HOMEM CASTO

AMA DE FORMA DIFERENTE




Ele não vê pessoas como objetos… mas como filhos de Deus. Os outros percebem suas motivações puras. Velhos e jovens, homens e mulheres; todos se sentem seguros em sua presença. Ele não busca vantagem própria. 

 

Ele ama como um irmão.

 

Seu amor exige abnegação; autocontrole. Luta para proteger sua própria alma e as almas de todos que encontra. Oferece um amor gerador que ajuda os outros a florescer e prosperar.

 

Ele ama como um pai. 

 

Em seus anseios e tentações, ama com um espírito submisso. Oferece seus sofrimentos pela conversão da família e dos amigos, pelo fortalecimento dos casamentos, pelo florescimento das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, pela proteção dos nascituros e para que todas as almas possam conhecer o amor e a misericórdia de nosso bondoso Pai.

 

Ele ama como Jesus. 

 

Quando fracassa, corre direto para os braços de seu Pai misericordioso no sacramento da Reconciliação. Recebe a graça, o encorajamento e o amor para continuar tentando. Não se odeia por causa de suas falhas, mas recebe com gratidão a ternura e o olhar indulgente de Nosso Senhor.. 

 

Ele é amado como o filho pródigo. 

 

Como nosso mundo seria diferente se os homens levassem mais a sério o belo e nobre chamado à castidade? Como os corações dos homens mudariam se pudessem ver essa virtude como um dom - para si mesmos e para os outros?

 

Demos graças a Deus pelo Apostolado Courage, que ajuda aqueles que sentem atração pelo mesmo sexo a lutar por esse amor fraterno, paterno, cristão. E também pelo dom de nos ajudar a compreender mais plenamente nossa identidade de filhos amados. Tenhamos a esperança de que, por meio de nosso testemunho imperfeito, podemos contribuir um pouco para ajudar o mundo a entender melhor essa virtude frequentemente ignorada, mas desesperadamente necessária. 

 

*    *    *

 

Brian R. tem 33 anos e mora em Washington, DC, onde trabalha como enfermeiro em um asilo. Faz parte do Courage desde 2018 e está ativo nas células de Baltimore, Washington e Arlington. Ama atividades ao ar livre com amigos, café e um bom livro, e um tempo em silêncio diante do Santíssimo Sacramento.

 

https://couragerc.org/the-chaste-man-loves-differently/

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

[FH] Cinco razões pelas quais não desenvolvemos amizades significativas

por J. Lee Grady

Você realmente tem bons amigos com os quais pode contar para apoiá-lo nas horas difíceis?
(Foto: iStock)

[Assim versam a terceira e a quarta metas do Courage:
- Cultivar um espírito de fraternidade no qual todos podem partilhar seus pensamentos e experiências e, assim, assegurar que ninguém venha a enfrentar sozinho os problemas da homossexualidade.
- Ter mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento.
O mundo moderno, e não só aqueles que têm atração pelo mesmo sexo (AMS), vive uma crise da amizade. Muitas pessoas evitam a proximidade com outros, a partilha de seus problemas pessoais, e vivem num mundo de aparências. Achamos, por isso, oportuna a publicação do seguinte artigo, extraído da página Charisma News.

Esclarecemos que por ter sido escrito por um protestante, o autor se refere a igrejas e se tratando da nossa realidade como católicos, tratamos de uma única Igreja. A par disso, mais do que proveitoso é aproveitar dos conselhos dados pelo autor para desenvolvermos amizades verdadeiras em nossas vidas, que nos levarão a atingir de maneira mais perfeita nossa terceira e quarta metas]

No mês passado, dois amigos meus bem próximos, Matt e James, dirigiram durante muitas horas, vindos da Carolina do Sul e do Alabama, para rezarem comigo na intenção de algumas importantes decisões que estou enfrentando. Eles não me pediram dinheiro para a gasolina ou para as refeições. Eles não me cobraram uma taxa pela consulta. Eles apenas queriam fazer o que amigos fazem – sacrificaram seu tempo para oferecer amor, conselho e apoio. Eles sabem que eu faria o mesmo por eles.
Vim a aprender que bons amigos são mais valiosos do que o dinheiro, a fama ou sucesso na carreira. No entanto, muitos cristãos que eu conheço lutam no campo dos relacionamentos. Muitas pessoas que eu conheci – mesmo pastores – admitem que não têm amigos. E muitas igrejas estão repletas de pessoas que anseiam por amigos, mas não sabem como fazer para ter um.
A igreja moderna nem sempre valoriza devidamente os relacionamentos. Enquanto o Novo Testamento nos ordena a “amar ardentemente uns aos outros e do fundo do coração” (I Pd 1, 22), nós desenvolvemos uma cultura coletiva fria. Ficamos satisfeitos em agrupar as pessoas dentro de um prédio para o culto e depois nós as colocamos para fora. Nossa principal preocupação é que elas tenham ocupado uma cadeira e escutado ao sermão. Mas elas tiveram contato umas com as outras? Mesmo em igrejas que tentam cultivar relacionamentos, somente uma fração das pessoas se envolve em pequenos grupos.
Pessoalmente, não acredito que veremos o poder de renascimento do Novo Testamento ou o impacto do Novo Testamento antes de nós recuperarmos o fervente amor do Novo Testamento. No entanto, esse território do amor não é possível de ser alcançado sem uma cura profunda e sem ajustes sérios em nossas atitudes. Eis cinco das mais importantes razões com as quais os cristãos lutam no campo dos relacionamentos:
1. Egocentrismo. Jesus definiu o amor quando disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13). A verdadeira amizade sempre envolve sacrifício. Nós tendemos a querer amizades à nossa maneira; queremos ser amados, encorajados e consolados. Mas se desejamos esse tipo de amor, devemos querer dá-lo a alguém primeiro. O pregador britânico Charles Spurgeon escreveu: “Qualquer homem pode egoisticamente desejar ter um Jônatas; mas ele só estará no caminho certo se desejar achar um Davi para quem ele possa ser Jônatas.”
2. Falta de transparência. Hoje em dia muitas pessoas vivem com segredos. Somos especialistas em fingir. Escondemos nossa dor particular atrás de máscaras e de uma grossa armadura. Agimos mecanicamente, sem interesse, e balbuciamos as palavras corretas – e assim nossa dentro da igreja se torna rasa e superficial, sem franqueza. Os verdadeiros amigos se livram de suas armaduras, revelam sua vergonha e abrem seus corações – e confessam seus pecados uns aos outros (Tg 5, 16). Esse é o caminho da verdadeira cura.
3. Ressentimento. São Paulo disse aos Efésios: “Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo.” (Ef 4, 32). Mesmo hoje em dia, muitos cristãos ainda não se livraram de seus ressentimentos. Eles não percebem que as pessoas que fervem de raiva com as mágoas do passado envenenam a si mesmas – e tornam impossível desenvolver amizades estreitas. O ressentimento o tornará desagradável – e as pessoas o evitarão porque você é tóxico. Devemos aprender a prestar muita atenção a nossos corações e eliminar o rancor no instante em que ele se enraizar em nossas almas.
4. Baixa autoestima. Jesus nos falou para amar ao próximo como a nós mesmos (Mc 12, 31). Mas o nosso amor pelos outros sofre um curto-circuito quando pensamos que não temos nada a oferecer num relacionamento. Muitas pessoas perdem a confiança de se aproximar dos outros e fazer amigos porque deixam de pensar que merecem ser amadas. O ódio de si mesmo pode ser causado por abuso, falta de afeição dos pais, bullying ou outros fatores. Se você luta para gostar de si mesmo, você deve estar disposto a sair da casca e procurar ajuda. Aproxime-se das pessoas à sua volta. Deus certamente preparou alguém para rezar junto com você!
5. Medo de rejeição. Conheci pessoas que desistiram completamente da igreja porque foram traídas. Algumas até deixaram posições de ministério porque seus amigos viraram as costas para elas. A atitude delas agora é: “Nunca mais vou deixar que ninguém me magoe de novo daquela maneira”. No entanto, vale realmente a pena fechar as portas à possibilidade de fazer amigos só por causa de uma ou duas experiências ruins? O livro de Provérbios diz: “O homem cercado de muitos amigos, tem neles sua desgraça, mas existe um amigo mais unido que um irmão.” (Prov 18, 24). Os amigos leais que tenho em minha vida mais do que compensaram qualquer tipo de frustração que tive. A amizade é um risco que vale a pena.
Quando Jesus trouxe a mensagem do reino dos céus para a terra, Ele reuniu um grupo de seguidores que vieram a ser conhecidos como Seus amigos (Jo 15, 15). Ele os chamou para segui-Lo como discípulos, mas também para que se relacionassem uns com os outros num profundo companheirismo. Nossa relação vertical com Cristo faz possível um relacionamento horizontal com nossos irmãos e irmãs. Não deixe que nada o impeça de desfrutar de relacionamentos sadios.

 (trad.: Marcos Bento)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

[QSH] Davi e Jônatas: amantes ou amigos?


O Movimento Gay, sem conhecer profundamente a Bíblia, tenta impor uma visão distorcida da amizade entre o Rei Davi e Jônatas, filho do Rei Saul. Fazendo uma abordagem rasa da Sagrada Escritura, interpretam textos fora de sua conotação histórica e cultural. Estão eles certos? Com certeza não. Davi e Jônatas foram grandes amigos, e exemplo para qualquer amizade moderna, sem nenhuma conotação sexual em seu relacionamento. O Dr. Robert Gagnon, autor do livro The Bible and Homosexual Practice (A Bíblia e a prática homossexual), mostra, com profundidade, o erro daqueles que querem deturpar a Sagrada Escritura.
A seguir, um artigo do Dr. Gagnon sobre o assunto (a página do autor pode ser encontrada aqui).

DAVI E JÔNATAS




Knust [autora que interpreta de forma heterodoxa a Sagrada Escritura] comete um erro comum a pessoas que não estão familiarizadas com antigas convenções do Oriente Próximo quando ela discute o relacionamento de Davi e Jônatas. Ela confunde a linguagem não-erótica de parentesco com a linguagem erótica do amor.
Todas as expressões que ela toma como eróticas na narrativa de Davi e Jônatas têm fortes paralelismos do Antigo Testamento e do antigo Oriente Próximo com relações não-sexuais entre parentes próximos do mesmo sexo. O narrador da Narrativa da Sucessão (1 Samuel 16, 14 até 2 Sm 5, 10) legitima a sucessão do rei Saul por Davi mostrando que Davi foi aceito por Jônatas na casa de seu pai como irmão mais velho, não como amante de Jônatas (ver A Bíblia e a Prática Homossexual, 146-54). Por exemplo:
Compare “a alma de Jônatas estava ligada à alma de Davi, e Jônatas o amava como sua própria alma” (1 Sam 18, 1; cf. 20, 17) com “a alma de [Jacó] está ligada a alma [de seu filho Benjamim] ”(Gênesis 44, 31) e “Ame o seu próximo como a si mesmo ”(Levítico 19, 18); compare-o também com a linguagem dos tratados de aliança, tais como "Você deve amá-lo como a si mesmo" (endereçado aos vassalos do rei assírio Assurbanipal) e a referência em 1 Reis 5, 1 ao rei Hirão de Tiro como "amante de Davi". "
Compare Jônatas “afeiçoou-se” a David (1 Sam 19, 1) com (1) “O rei [Saul] afeiçoou-se com você [David], e todos os seus servos te amam; agora então, torne-se o genro do rei ”(1 Sm 18, 22); com (2) “Todos os que amam Joab e estão com Davi sigam a Joab” (2Sm 20, 11); e com (3) a referência a Deus “deleitando-se” em Davi (2 Sm 15, 26; 22, 20).
Quando Davi teve que fugir de Saul, Davi e Jônatas tiveram uma reunião de despedida, na qual Davi “se curvou três vezes [a Jônatas], e eles se beijaram e choraram um ao outro” (1 Samuel 20: 41-42). Esta é uma cena erótica? Não é provável. Apenas três das vinte e sete ocorrências do verbo hebraico “beijar” têm uma dimensão erótica. A maioria refere-se a beijar entre um pai e um filho ou entre irmãos.
Num ponto da narrativa, Saul ataca seu filho Jônatas: “Você é filho de uma mulher rebelde e perversa! Não sei eu que você escolheu o filho de Jessé para sua própria vergonha e para a vergonha da nudez de sua mãe?” (1 Samuel 20, 30-34). Esta observação implica que Davi e Jônatas estavam em um relacionamento erótico? Não, Saul aqui simplesmente responsabiliza Jônatas por envergonhar a mãe que o gerou ao concordar com a reivindicação de Davi sobre o trono de Saul (cf. 2 Samuel 19, 5-6).
Quando David soube das mortes de Saul e Jônatas, ele declara sobre Jônatas: “Tu foste muito querido para mim; o teu amor para mim foi mais maravilhoso para mim do que o amor das mulheres” (2 Samuel 1, 26). O verbo hebraico para "era muito caro" é usado em sentido sexual no Antigo Testamento apenas em duas das vinte e seis ocorrências. Uma forma relacionada é usada apenas três versículos antes, quando Davi se refere a Saul como “adorável” - dificilmente em um sentido erótico. Jônatas dando seu lugar como herdeiro real e arriscando sua vida por Davi superou tudo o que Davi conhecia de um relacionamento erótico comprometido com uma mulher. Davi não está se referindo ao amor erótico por parte de Jônatas. Como Provérbios 18,24 declara em um contexto não erótico: “Há um amante / amigo que fica mais perto do que um irmão”.
A disposição dos narradores em falar da vigorosa vida heterossexual de Davi (por exemplo, sua cobiça por Betsabé) põe em evidência seu completo silêncio sobre qualquer atividade sexual entre Davi e Jônatas. Interpretações homossexuais entendem mal as implicações políticas da Narrativa da Sucessão em 1 Sam 16, 14 - 2 Sm 5, 10. Jônatas entregando seu manto, armadura, espada, arco e cinto a Davi foi um ato de investidura política (1 Sam 18, 4) que transferiu o cargo de herdeiro aparente.
A questão de enfatizar a relação próxima entre David e Jônatas foi estabelecer o fato de que Davi não era um usurpador rebelde ao trono de Saul. Ele foi suficientemente adotado por Jônatas na "casa" (família, dinastia) de seu pai. Ele se tornou o amado irmão mais velho de Jônatas. Nem os narradores da Narrativa de Sucessão nem o(s) autor(es) da História Deuteronomista mostram preocupação com o escândalo homossexual. A razão para isso é que, no contexto das antigas convenções do Oriente Próximo, nada na narrativa levantou suspeitas sobre um relacionamento homossexual.



segunda-feira, 9 de julho de 2018

[QSH] Pornografia - como as amizades podem ajudar a superá-la



BOAS AMIZADES

ARMA CONTRA A PORNOGRAFIA


A pornografia permeia a vida da sociedade moderna e se tornou, para muitos, um vício. Esse mal, presente na vida de pessoas com atração pelo mesmo sexo ou não, apenas aumenta dois fatores que cada vez mais são consequências de nosso mundo conturbado: a solidão e o isolamento. Na vida de uma pessoa com AMS (e também de qualquer outra), é a "válvula de escape", é o instrumento ilusório de uma suposta intimidade. Quando trilhamos os Doze Passos do Courage, logo no primeiro nos deparamos com nossa incapacidade de superar sozinhos os problemas que nossa inclinação nos traz, entre eles a pornografia. Mas o que fazer? Entre os remédios ou armas que podem por nós serem utilizados estão as boas e castas amizades, objeto de nossa quarta meta: "Ter em mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis, como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento". É o que o seguinte texto nos  mostra.


Procurando por relacionamentos: falso x verdadeiro


Acredito que tudo que está relacionado à construção de relacionamentos saudáveis seja parte importante do processo de luta contra a pornografia. A pornografia promete intimidade instantânea com outros, mas não pode cumprir tal promessa. Para não cair em sua armadilha, temos que passar pelo processo, nem sempre fácil e tampouco rápido, de desenvolvimento de relacionamentos reais com outras pessoas.

Se passamos anos lutando para formar amizades, sem sucesso, talvez tenhamos que mudar nossa perspectiva a respeito de relacionamentos, sobretudo com outros cristãos. Em vez de nos vermos como ilhas isoladas, temos que nos dar conta de que devido à obra de Cristo na cruz, já temos uma união com outros cristãos em nível profundo. O elo já existe, como descrito em Efésio 2, 19: “Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo Cristo Jesus, a pedra angular”.

Dar-se conta disto nos dá certa segurança, e mais confiança para nos aproximarmos de outros cristãos. Não mais sentimos a necessidade  de “trabalhar” a amizade; só necessitamos descobrir e desenvolver o elo que já existe em Cristo.

Este conhecimento também pode dar confiança adicional na resolução de conflitos com outros cristãos. Qualquer que seja a crise que surja entre eu e outro cristão, ambos temo recursos divinos e a ação do Espírito Santo para nos ajudar a caminhar em direção a uma cura ou resolução.

Um dos primeiros passos no caminho para relacionamentos saudáveis é levar todas essas lutas ao Senhor em oração: “O Senhor sabe que eu tenho problemas com relacionamentos. Muitas vezes procuro amizades por razões equivocadas, procurando por coisas que nenhuma amizade poderia me dar. Não quero mais seguir por este caminho. Quero formar amizades, não a partir de uma necessidade doentia, mas a partir do meu amor por Ti e de minha relação contigo. Abra meus olhos para os relacionamentos que o Senhor quer me dar. Ajuda-me a reconhecer velhos padrões à medida que surgirem, e ajuda-me a encontrar novas maneiras de me relacionar com outros.”

Algumas vezes Deus tem surpresas para nós com relação a amigos. Foi o que aconteceu com Harry, um homem que vivera na prática homossexual.

Sempre que Harry se dava conta, parecia estar perto de Roger. No estudo bíblico, nos ensaios do coro, no culto dominical, lá estava sempre Roger. Um domingo, após o culto, Roger perguntou se Harry gostaria de almoçar com ele.

“A única razão pela qual disse sim foi porque não consegui encontrar uma desculpa de maneira rápida”, lembra-se Harry.

Roger seria a última pessoa que Harry escolheria como amigo. Grande, lento e tímido, Roger era o gerente de uma fábrica de beneficiamento de milho nas cercanias. Harry havia recentemente deixado para trás a prática homossexual em Chicago, e decidira aceitar o emprego de professor em uma pequena comunidade em Wisconsin. Mesmo que tivesse renovado seu compromisso com Cristo e tivesse esperanças de fazer novas amizades, Roger não era o que ele esperava como amigo.

“Mas, aquele almoço após a igreja abriu meus olhos”, disse Harrry. “Roger era gentil de espírito e tinha uma relação genuína e profunda com Cristo.”

Os dois homens desenvolveram uma sólida amizade. Harry introduziu Roger a C.S. Lewis, George MacDonald e outros autores cristãos. Em contrapartida, Roger acendeu o interesse de Harry por caminhadas em florestas e esportes radicais, como canoagem e “rafting”.

Num dado momento, Harry se sentiu compelido a contar a Roger sobre seu passado na prática homossexual. Cheio de terror, ele vomitou sua história. Quando terminou, Roger olhou em seus olhos com ternura e disse, “já imaginava isto.”

“Meu passado lhe incomoda?”, Harry perguntou.

“Admito que não o entendo”, Roger respondeu. “Mas não tenho que compreender tudo sobre você para ser seu amigo, não é?”

Harry pensou por um momento. “Não, creio que não.”

Ao dar o passo para construir amizades saudáveis, temos que estar abertos para nos relacionarmos com pessoas diferentes do “nosso tipo”. Claro que não vamos procurar por amizades com pessoas que não tenham um mínimo em comum conosco, mas devemos estar abertos a relacionamentos que nos pareçam desconfortáveis à primeira vista. Deus sabe que tipos de relacionamentos são necessários para que nossas melhores qualidades sejam desenvolvidas e que possibilitem o amadurecimento de nossa identidade (...) – e normalmente não são o tipo de relacionamentos que escolheríamos por nós mesmos.

E quando àquelas pessoas que encontramos e gostamos instantaneamente – talvez demais? Deveríamos fugir delas com receio de que poderíamos cair em dependência emocional ou mesmo num relacionamento sexual? Ou ir ao outro extremo, fazendo uma oração rápida (“Fique de olho em mim, Deus”) e se laçando à toda velocidade em frente, cego de excitação por uma nova relação? Infelizmente não há respostas fáceis para este dilema. Se estivermos numa posição muito vulnerável e a outra pessoa não for madura ou estável, normalmente é melhor colocar um freio na amizade por algum tempo. Na maior parte dos casos, o melhor conselho é “prosseguir com cuidado”.

Às vezes iniciamos novas relações com boas intenções, mas ficamos envolvidos em padrões doentios, ainda que nos esforcemos ao máximo. Vivemos num mundo despedaçado e todas as nossas relações em algum grau refletem isto.

Quando entramos numa nova relação, com um homem ou mulher, necessitamos uma mistura de fé e cuidado. Fé, sabendo que Deus está nos revestindo e sustentando, dando-nos sabedoria e graça aos nossos esforços para ter sucesso. E cuidado, estando ciente de que nenhum outro ser humano é completamente “seguro” ou está totalmente restaurado.

Muitas de nossas necessidades mais profundas serão satisfeitas pelo próprio Deus. Talvez tenhamos um amigo que seja um grande companheiro de oração; outro com o qual possamos contar piadas e nos divertir de forma saudável; e outro que necessita de nosso tipo especial de ministério e encorajamento. Nossas vidas são mosaicos de amizades e interesses, não um quebra-cabeças feito de duas peças que se encaixam.

Em última instância, Deus é o doador de todas as boas dádivas – incluindo amigos verdadeiros. “O Senhor me ajudou de verdade nesta área”, diz Rod. “Passei meus anos de adolescência virtualmente sozinho, aterrorizado de que alguém se aproximasse de mim o suficiente para descobrir minhas lutas com a homossexualidade.

“Durante minha juventude, quando comecei a abrir minha vida para outros cristãos, experimentei o que é uma profunda amizade pela primeira vez. Este processo de fazer amigos trouxe bastante cura e satisfação para a minha vida. Mas antes tive que me arriscar em ser aberto com outros, o que era aterrorizador. Agora estou feliz por me ter arriscado.”

Rod lutou muitos anos contra a pornografia homossexual e se deu conta de uma nova vitória na área quando ele começou a preencher sua vida com relações saudáveis com outros homens. A tentação de dar uma olhada em literatura pornográfica gay não desapareceu totalmente, mas à medida que ele enchia sua vida com amizades compensadoras, ele notou que as tentações perderam muito de seu poder e força.

Rod diz que suas amizades masculinas foram um instrumento em sua libertação da homossexualidade. “Eu me dou conta de que, durante todo o tempo que estava me deixando levar pela pornografia e procurando por contatos sexuais, estava na verdade procurando por um amigo. Agora que tenho homens que posso amar de maneira santa e saudável, não estou mais sozinho.”

“Todos nós que passamos pela prática homossexual – mesmo os mais introvertidos – têm grande ânsia por contato com outras pessoas, especialmente outros do nosso mesmo sexo”, adiciona Rod. “Assim a escolha está em como iremos satisfazer estas necessidades de contato com o mesmo sexo: através da lascívia e meios pecaminosos, ou através de amor e amizades saudáveis. Estou muito mais feliz e realizado desde que comecei a procurar satisfazer estas necessidades de uma maneira aprovada por Deus.”


(extraído do livro "Vencendo a pornografia", de Bob Davies)




sábado, 29 de julho de 2017

[AC] O Courage ensina a alegria da verdadeira amizade numa cultura de solidão


A amizade com Cristo implica em ouvir dEle a verdade sobre a nossa identidade e o Seu plano para nós, além de respondermos com liberdade e generosidade.



Publicado pelo Padre Philip Bochanski, diretor do Courage International, na página National Catholic Register


No mês de novembro passado, eu fui convidado pela Diocese de Orlando, Flórida, para falar aos padres e a outras pessoas que estão no ministério paroquial e diocesano. Acordei bem cedo no dia do evento para visitar o lugar da Pulse em Orlando, a boate “LGBT” onde um terrorista assassinou 49 pessoas e feriu muitas outras no último mês de junho. Fiquei cerca de meia hora lá a oferecer o Rosário pelo suave repouso daquelas vítimas, pela consolação daqueles que sobreviveram e por suas famílias, observando os memoriais improvisados que foram colocados no local.

As palavras humanas, muitas vezes, falham diante de uma tragédia sem sentido como o massacre na Pulse. Ainda, certas questões alfinetam o coração de um padre diante de tal cena: “O que eu teria feito se estivesse aqui? O que poderia ter feito? O que poderia dizer para aqueles que foram vitimados, discriminados pelo ódio para com as suas comunidades? Que consolação eu poderia oferecer para as suas famílias e amigos, para aqueles que estiveram de luto por eles? O que faço agora?”

Não foi fácil encontrar respostas naquela manhã, mas o resto das atividades do dia me apontou para a direção certa.

Minhas falas foram sobre como providenciar cuidado pastoral para os católicos que sentem atrações pelo mesmo sexo e para os seus familiares e entes queridos. Cuidado pastoral significa o cuidado de um rebanho, imitando o Bom Pastor que oferece a Sua vida pela Sua ovelha.

Embora o ministério pastoral não saiba o que fazer em todas as situações, sabemos o que o Bom Pastor faria. “Eu mesmo buscarei minhas ovelhas,” Ele diz. “Procurarei pela perdida e trarei de volta a que se desviou, curarei a ferida e fortalecerei a enfraquecida” (Ezequiel 34: 11 -16).

É claro, o cuidado pastoral toma como certo que há um rebanho que necessita do pastoreio, que necessita da busca, cura e fortalecimento. Isto não é pessimismo, mas realismo: O pecado original, escreveu Gilbert Keith Chesterton, é “um fato tão prático quanto batatas”, e suas consequências afetam ao mundo e a todos nele, todos os dias.

Todos nós crescemos em famílias imperfeitas, tivemos infâncias imperfeitas e formamos amizades imperfeitas. Temos uma compreensão imperfeita de nós mesmos e uma apreciação imperfeita dos dons de Deus. Temos um controle imperfeito sobre nossas mentes, corações e corpos, além de respondermos de forma imperfeita à vontade de Deus.

No entanto, a fé católica ensina outro fato inegável: ninguém precisa ser perfeito para ser amado por Deus. Pelo contrário: “Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5, 8). O Perfeito sofreu por causa do imperfeito, “o Justo pelo injusto, para trazê-los para Deus” (1 Pedro 3, 18).

Essa realidade – que a felicidade nesta vida e na próxima dependem não da perfeição, mas da redenção – é o fundamento para o cuidado pastoral.

“Na vida, Deus acompanha as pessoas”, aconselha o Papa Francisco, “e devemos acompanhá-las, começando pelas suas situações.”

Ao acolher cada pessoa no Nome do Cristo, e ao compartilhar com elas a Boa Nova da salvação, assistimos seres humanos imperfeitos se esforçando pela felicidade perfeita que tem sua origem e destino em Deus.

A palavra chave aqui é esforçar-se: a vida cristã é uma jornada que procede em etapas: os primeiros cristãos eram conhecidos como aqueles que estavam "No “Caminho” (Atos 9, 2).

Um cristão não é um ser perfeito, mas um trabalho em andamento; ele progride ao adquirir as virtudes, que são bons hábitos que o apontam para a direção certa. Deus tem um plano para a vida humana que não é descarrilado ou tornado irrelevante pelo pecado ou pela imperfeição, e as virtudes orientam o coração, a mente, o corpo e a alma pelo caminho traçado pelo desígnio divino.

A virtude que direciona a profunda experiência da atração sexual e o desejo é a castidade. O mundo tem a tendência de recusar tal palavra, que conjura imagens de mosteiros estéreis vazios de emoção ou vitalidade. No entanto, o Catecismo propõe um caminho que guia para a liberdade e autoconhecimento.

“A castidade,” diz o Catecismo, “significa a integração bem sucedida da sexualidade dentro da pessoa e assim a unidade interna do homem em seu ser corpóreo e espiritual.” O resultado desta integração é que “a sexualidade... se torna pessoal e verdadeiramente humana,” situada no plano divino para as relações humanas (2357).

A castidade não reprime os sentimentos ou nega a realidade do desejo sexual. A castidade começa com a honestidade – “é assim que me sinto; é isso que eu quero” – mas não termina aí. O mundo diz, “Se eu sinto, devo fazê-lo”; a implicação é que todo desejo ou pensamento que uma pessoa deve ter é perfeito e completo em si mesmo.

A castidade é mais realista. Ela considera a origem e o alvo de um desejo sexual à luz da identidade e da história do indivíduo e da vocação e do plano de Deus para se chegar a uma boa decisão sobre se se deve ou não perseguir ou agir de acordo com um determinado desejo.

Uma pessoa virtuosa só perseguirá um desejo que é parte do plano de Deus para a sexualidade, na qual a intimidade sexual é ordenada e dirigida para o relacionamento que é permanente, fiel, baseado na complementariedade do homem e da mulher e aberto para a procriação da vida humana – isto é, o matrimônio.

Portanto, a castidade — que é um apelo universal a cada pessoa — é também a pedra angular da abordagem pastoral da Igreja Católica para as pessoas que sentem atrações pelo mesmo sexo. A característica de um "programa pastoral autêntico", segundo a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), é que ela honestamente enfrenta a verdade de que os atos homossexuais são imorais, pois não são ordenados à complementaridade e procriação que dão à união sexual seu significado e propósito. Mas se nossa prática pastoral parasse ali, seria lamentavelmente incompleta. Em vez disso, a CDF apela a uma "abordagem multifacetada" que ajude as pessoas a viver a castidade e a crescer "em todos os níveis da vida espiritual: através dos sacramentos ... oração, testemunho, conselho e cuidado individual".

Talvez o maior privilégio do meu sacerdócio tenha sido participar de tal abordagem do cuidado pastoral, primeiro como capelão do Courage na Arquidiocese de Filadélfia e agora como diretor do Courage International. A oportunidade de ser um verdadeiro pai espiritual para as pessoas que fizeram a escolha de buscar a castidade, muitas vezes à custa de serem mal compreendidas e até mesmo de perder amizades, transformou a minha compreensão do coração humano e a minha apreciação do que as pessoas são capazes de quando elas são motivadas e sustentadas pela graça.

Meu único arrependimento é que suas histórias não sejam contadas com mais frequência, pois elas testemunham a liberdade e a alegria que se encontram em um abraço sincero do plano de Deus.

Quando dou palestras como as apresentadas em Orlando no ano passado, elas sempre incluem testemunhos pessoais de membros do Courage, pessoalmente ou em vídeo. É de vital importância para os ministros da Igreja ouvir as experiências da vida real de pessoas que vivem com atrações do mesmo sexo, e estou feliz em preencher a lacuna que muitas vezes existe entre eles.

O testemunho mais pungente que eu ouvi veio de Bob, membro do Courage de longa data de Nova York, que disse: "Deus me ama e me deu uma Igreja para me ajudar a ter uma vida feliz".

Ele então compartilhou o segredo de sua felicidade: "[Deus] me deu uma Igreja que me ensina que a castidade é o caminho para a felicidade. E não é para me negar o prazer sexual; é para me abrir para ser uma pessoa mais feliz.”

Aqui está o cerne do ensinamento da Igreja e do cuidado pastoral que a Igreja propõe e espera.

A busca da virtude abre a pessoa à verdadeira felicidade, porque toda a virtude está enraizada na realidade do ser humano. Pessoas que tiveram um vislumbre dessa felicidade, e começaram a entender sua identidade como filhos e filhas criados à imagem de Deus, querem buscar as virtudes que os levarão à realização. Eles querem ouvir o que a Igreja tem a dizer, mesmo quando é difícil colocá-lo em prática. Isso significa "falar a verdade no amor" (Efésios 4, 15) sobre o significado da sexualidade humana e ajudar as pessoas a compreender e abraçar essa verdade. "Apartar-se do ensinamento da Igreja, ou silenciar sobre isso", escreveu o CDF, "em um esforço para providenciar o cuidado pastoral, não é cuidar, tampouco é pastoral".

Esses irmãos e irmãs querem mergulhar nos sacramentos, porque encontram ali o amor, a aceitação e a misericórdia incondicionais que só vem de Deus. Eles querem oportunidades para compartilhar suas histórias com pessoas que eles sabem que vão entendê-los, porque eles estiveram lá, e eles querem apoiar e encorajar uns aos outros.

Talvez, acima de tudo, eles queiram construir relacionamentos autênticos. No centro da resposta da Igreja à atração pelo mesmo sexo está o reconhecimento de que "amizades de vários tipos são necessárias para uma vida humana plena, e são igualmente necessárias para aqueles que tentam viver castamente no mundo", como os bispos dos Estados Unidos explicam [no documento Ministério para Pessoas com Inclinação Homossexual: Diretrizes para o Cuidado Pastoral].

A amizade casta não é um privilégio daqueles dentre nós que têm tudo isso em conjunto, mas é um direito desde o nascimento e uma característica definidora de cada discípulo.

"Eu os chamo de amigos", diz Jesus na Última Ceia, e Ele explica o que Ele quer dizer. "Eu vos chamei amigos, porque vos tenho revelado tudo o que ouvi de meu Pai" (João 15, 15), e "Vocês são meus amigos se fizerem o que Eu vos mando" (João 15, 14).

A amizade com Cristo significa ouvir a verdade dEle sobre a nossa identidade e seu plano para nós, respondendo a Ele com liberdade e generosidade. A amizade casta – baseada não em rótulos ou políticas de identidade, mas em uma busca comum de santidade e de todas as virtudes — é o princípio motriz do Courage e deve caracterizar todo ministério católico e ministro pastoral que se aproxima dessa comunidade.